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Fonte: PROJETO MEMÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL
CATÁLOGO DE PERIÓDICOS NÃO -CORRENTES EM PSIQUIATRIA DA
BIBLIOTECA DE MANGUINHOS
Textos selecionados de
interesse para a História da Psiquiatria no Brasil
ALESSI,
Neiry Primo, 1982. O significado social das Políticas de Saúde
Mental no Brasil. Neurobiologia, 45(3): 221-228, Recife.
O trabalho procura mostrar que os projetos políticos norteadores
das práticas em saúde mental devem ser analisados por referência
ao processo de constituição e desenvolvimento de uma formação
econômico-social concreta. Tendo por referência a sociedade
brasileira, a análise de algumas políticas instituídas pelo
Estado demonstra estarem direcionadas ao encobrimento da sua
função de defesa dos interesses da classe dominante e de
obscurecimento da exploração de classe e de conflito entre as
classes sociais.
ALVES,
Domingos Sávio Nascimento; SEIDL, Eliane Fleury; SCHECHTMAN,
Alfredo & SILVA, Rosane Correia e, 1994. Reestruturação da
atenção em saúde mental: situação atual, diretrizes e
estratégias. In: Psiquiatria social e reforma psiquiátrica
(P. Amarante, org.), pp. 195-202, Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz. Os autores têm como objetivo apresentar um diagnóstico
sucinto da situação atual da assistência psiquiátrica e das
mudanças em curso, bem como delinear as estratégias do
Ministério da Saúde voltadas para a reestruturação da atenção em
saúde mental no país. (AU)
AMARANTE,
Paulo, 1982. Psiquiatria social e colônias de alienados no
Brasil (1830-1920). Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro:
Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Para discutir as colônias de alienados no Brasil
enquanto projeto alternativo do asilo clássico, o autor resgata
a história do início do movimento alienista, da criação do
Hospício de Pedro II, das primeiras legislações, além de
analisar a evolução do conceito de doença mental em relação com
o modelo assistencial psiquiátrico.
AMARANTE,
Paulo; CARVALHO, Andréa da Luz; UHR, Deborah; ANDRADE, Ernesto
Aranha; BEATO, Laurinda; MOREIRA, Martha Cristina Nunes & SOUZA,
Waldir da Silva., 1998. Loucos pela vida - a trajetória da
reforma psiquiátrica no Brasil, Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz, 2a Edição. O livro é resultado de uma pesquisa
desenvolvida no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde
Mental (Laps), do Núcleo de Estudos Político-Sociais em Saúde
(Nupes/Daps/Ensp/Fundação Oswaldo Cruz). Tem como principal
objetivo delinear os antecedentes teóricos, identificar os
cenários, os temas, os atores e as fontes de pesquisa, no
sentido de fornecer subsídios ao estudo da história recente das
experiências brasileiras de reforma psiquiátrica a partir dos
anos 70. Inclui um apanhado histórico sobre as principais
tendências e experiências internacionais que influenciam na
construção do projeto brasileiro.
AMORIM,
Annibal Coelho de, 1997. O 'espetáculo da loucura' -
Alienismo Oitocentista... Psiquiatria do III Milênio: A
construção social da linguagem do déficit e a progressiva
enfermidade da cultura. Dissertação de mestrado, Rio de
Janeiro: Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio
de Janeiro. Esta dissertação, partindo da abordagem
construcionista social na moderna psicologia, propõe-se a
examinar questões referentes ao tema da linguagem do déficit,
com ênfase nas recentes contribuições de Kenneth Gergen,
particularmente suas preocupações acerca da 'progressiva
enfermidade da cultura', determinada, em grande parte, pela
difusão de ma linguagem sofisticadamente reificada empregada por
profissionais do chamado 'campo terapêutico'. No capítulo I são
estabelecidos os marcos teóricos do construcionismo social -
inicialmente as contribuições de Berger & Luckmann, secundados
por Kenneth J. Gergen -, proposições fundamentais à compreensão
e análise crítica da 'linguagem do déficit', conceito
central do trabalho. No capítulo II, serão enfatizadas as
contribuições de Michel Foucault ao abordar a 'loucura' como
objeto histórico - mais especificamente o Nascimento da
Clínica e a 'grande internação'-, para a seguir, no capítulo
III (re)visar a 'história da loucura no Brasil' do início do
século. No capítulo IV é apresentada a metodologia e procedido o
estudo dos prontuários na emergência do alienismo no Brasil.
Considerações finais ressalta [sic] os desdobramentos e o
possível impacto da 'linguagem do déficit' na área da
saúde mental, em oposição à alternativa da 'linguagem
relacional', proposta pelos contrucionistas sociais. Fragmentos
de crônicas e da literatura de Lima Barreto, fotografias do Rio
de Janeiro no início do século, compõem o anexo da dissertação
com o objetivo de 'reconstruir e contextualizar
socioculturalmente' a emergência do alienismo no Brasil.
Finalizando, no Apêndice são ressaltadas 'apropriações
indébitas' de termos originariamente médicos. (AU)
ANDRADE,
Márcia Schmidt, 1982. Saúde mental e assistência psiquiátrica no
Estado de Minas Gerais: situação atual, perspectivas futuras e
propostas de mudanças. Cadernos de psiquiatria social,
1(1): 45-52, Rio de Janeiro. Artigo baseado na monografia
apresentada ao Curso de Especialização em Psiquiatria Social.
Faz uma retrospectiva da assistência psiquiátrica em MG desde o
início do século XX; discute a formação dos profissionais de
Saúde Mental no estado, assim como a sua organização política em
entidade. Apresenta algumas propostas de transformação, tais
como a criação de centros comunitários de saúde mental e a
implantação de equipes multidisciplinares.
ANDRADE,
Márcia Schmidt, 1992. Democratização no hospital psiquiátrico
- um estudo da Colônia Juliano Moreira nos anos 80.
Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de Medicina
Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Na década de
oitenta são desenvolvidas experiências de transformação do
modelo assistencial em hospitais psiquiátricos do Ministérios da
Saúde, na cidade do Rio de Janeiro. Na Colônia Juliano Moreira é
observada com frequência a associação dos termos
democrático/democratização ao processo de transformação, da
parte dos agentes institucionais. A questão central em torno da
qual é construída é a seguinte: por que existe esta associação
tão estreita, e qual a influência do conteúdo propriamente
democrático no processo? Para a análise desta questão, são
levantadas as condições que permitem o desencadeamento do
processo de mudança, com a característica democratizante, da
parte dos órgãos públicos, da própria instituição e dos agentes
à frente da experiência. Igualmente, são localizados três
aspectos institucionais: técnico-assitencial, político-gerencial
e da utilização do espaço urbano - onde o componente democrático
evidencia-se com maior intensidade. Por fim, é observado que tal
processo de mudança é, na prática, representado simbolicamente
pelo Projeto Institucional da Colônia. Neste trabalho, tal
projeto é considerado um mito institucional, que expressa aquela
realidade particular. Analisa-se que as imagens e representações
relativas ao componente democrático são centrais na constituição
de tal mito. (AU)
ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA, 1985. Diretrizes para uma política de
saúde mental do governo de transição democrática - Proposta para
discussão final. Psiquiatria Hoje, 10, 03, Rio de
Janeiro. O documento refere-se à trajetória da ABP, que desde
1977 vem se dedicando à tarefa política da restauração da
democracia no país. Faz uma síntese diagnóstica da situação, faz
referências às condições de vida relacionando com o modelo
econômico e social adotados nas últimas duas décadas e as
conseqüências na saúde mental da população. Fala sobre a crise
da previdência e da dicotomia entre o MS e o INAMPS, das
condições péssimas da assistência psiquiátrica e a ausência de
políticas que definam esta assistência. Faz sugestões que vão
desde melhoria das condições sociais, até um sistema de saúde
federado.
ASSUMPÇÃO
JR, Francisco B., 1995. Psiquiatria infantil brasileira: um
esboço histórico. São Paulo: Lemos Editorial. O trabalho
pretende estabelecer um fio narrativo que permita compreender
como o cuidado com a criança doente mental se estabeleceu no
Brasil.
BARCELLOS,
Daisy Macedo de, 1989. Políticas de saúde mental e a
organização do hospital público no Rio Grande do Sul.
Dissertação de mestrado, Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Este estudo trata de
uma reflexão crítica, fortemente ancorada na contribuição das
Ciências Sociais, acerca do processo de implantação das metas de
um plano de saúde mental a nível da organização interna de um
hospital psiquiátrico localizado em Porto Alegre, Rio Grande do
Sul, no período de 1980 a 1982. A partir da caracterização das
políticas constantes no plano e das instituições públicas
responsáveis pela gestão, o estudo se desenvolve no sentido de
pormenorizar a realidade do cotidiano de uma enfermaria de
internação do hospital, visando elucidar as pautas de interação
aí predominantes. (AU)
BASTOS,
Adauri & MAMEDE, Luiz Antônio, 1980. I Encontro Regional do
Trabalhador em Saúde Mental. Rádice, 3(13): 03, Rio de
Janeiro. Notícia sobre a reunião dos trabalhadores em saúde
mental de 23 a 25 de maio de 1980, no Sindicato dos Médicos do
Rio de Janeiro, para discutirem problemas ligados à área da
saúde mental. Entre painéis e grupos de discussão, estudou-se a
política nacional de saúde mental, as alternativas de atração
que estão surgindo aos poucos para o profissional da área, as
condições de trabalho atuais a privatização da medicina, a
realidade político-social da população brasileira, além de
denúncias sobre barbaridades nas instituições psiquiátricas com
destaque para a Colônia Juliano Moreira.
BIRMAN,
Joel, 1978. A psiquiatria como discurso da moralidade.
Rio de Janeiro: Graal. Aborda, através da análise dos textos dos
fundadores da psiquiatria francesa o momento da apropriação da
loucura pelo discurso médico, o debate que se dá entre a
etiologia física e a etiologia moral da doença mental e as
condições históricas de possibilidades para o surgimento da
psiquiatria.
BIRMAN,
Joel, 1980. Enfermidade e loucura: sobre a medicina
das inter-relações. Rio de Janeiro: Campus. Este estudo
pretende discutir as relações da Medicina, da psiquiatria e da
psicanálise, como estes discursos foram articulados na
modernidade, observando a originalidade em que se processou o
encontro destas várias práticas sociais, particularmente a
tendência da Psicanálise de ser integrada no projeto
institucional da Medicina e da Psiquiatria.
BOCAI,
David e BUSCHINILLI, Maria, 1978. A Crise da Dinsam. Rádice,
7: 04, Rio de Janeiro. Entrevista com médicos do hospital Pinel
sobre a crise da Dinsam e a situação do psicólogo, ora
totalmente desvinculado da instituição. Os profissionais da
saúde permanecem em greve pela melhoria de condições nos locais
de trabalho, pela readmissão dos profissionais demitidos, e por
melhores salários. Foram entrevistados os médicos Humberto
Alexandre (chefe de clínica) Orlando Chequetti (diretor do
hospital), Jaques Niremberg (diretor da praxiterapia).
CABRAL, Ana
Lúcia Lobo Vianna, 1991. A reestruturação da assistência
psiquiátrica pública em Minas Gerais - 1977 a 1983: a
perspectiva do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental.
Relatório de pesquisa, Belo Horizonte, mimeo. Relatório de
pesquisa versando sobre as experiências mineiras no campo da
assistência psiquiátrica, detalhando a atuação do Movimento dos
Trabalhadores em Saúde Mental no período de 1977 a 1983.
CABRERA,
Catalina Camas, 2000. O tratamento manicomial e a
desinstitucionalização, segundo opiniões de psiquiatras de
Ribeirão Preto. Tese de Doutorado, Ribeirão Preto: Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. A
questão do tratamento manicomial começou a ser enfrentada no
Brasil com o projeto de lei no 3657, de Paulo Delgado, em 1989.
Desde então várias pesquisas enfocaram o assunto, com base em
opiniões de pacientes e familiares destes e enfermeiros de saúde
mental. Não se encontraram pesquisas que consultam,
especificamente, os psiquiatras em serviço nas instituições de
assistência psiquiátrica. Para realizar essa consulta, um
questionário de opiniões sobre desinstitucionalização e formas
alternativas de tratamento psiquiátrico, foi distribuído a 150
psiquiatras do município de Ribeirão Preto (São Paulo). O
questionário continha 46 proposições, sendo que cada proposição
(item) permitia cinco alternativas de resposta, referentes a
graus de concordância com o teor da proposição. Esse instrumento
foi previamente submetido a diferentes juizes que avaliaram as
proposições segundo pertinência ao tema, clareza e facilidade de
resposta. As proposições foram agrupadas segundo cinco assuntos
(tema): 1 - Manutenção do hospital psiquiátrico nos moldes
tradicionais; 2 - Manutenção do hospital psiquiátrico com
reformas no funcionamento; 3 - Desativação parcial do hospital
psiquiátrico; 4 - Desativação total do hospital psiquiátrico,
com substituição por recursos alternativos e 5 - Opiniões sobre
formas de participação dos psiquiatras na elaboração das leis e
grau de informação a respeito dos dispositivos legais de
assistência psiquiátrica no Brasil. Esse agrupamento baseou-se
em altos índices de concordância entre diferentes juizes (0,61
<Kappa < 0,78). Setenta e cinco psiquiatras desenvolveram o
questionário respondido. Os resultados da avaliação das
respostas ao questionário indicam que a grande maioria dos
informantes considera necessário manter os hospitais
psiquiátricos e desativá-los de forma gradativa. Os informantes
concordam que o hospital psiquiátrico não é o melhor modo de
assistência psiquiátrica, embora o grupo fique dividido quanto a
manter ou não o hospital psiquiátrico para doentes mentais
crônicos, sem autonomia e família. As propostas de
diversificação de atendimentos clínicos no hospital psiquiátrico
(hospital-dia, hospital-noite e tratamento ambulatorial) tiveram
alto índice de aceitação dos informantes. Numa segunda fase,
nove informantes foram entrevistados segundo um roteiro de 10
questões. A análise das entrevistas indica que dois terços dos
entrevistados avaliam as mudanças resultantes da desativação do
hospital psiquiátrico de modo positivo, enquanto que um terço
deles considera negativamente tais mudanças pois preocupa-se com
a efetiva disponibilidade dos serviços alternativos ao hospital
psiquiátrico, no que se refere ao preparo pessoal e dos colegas
para atuar profissionalmente nesse novo sistema, sete dos nove
entrevistados (78%) se sentem preparados, mas somente quatro
(44%) julgam que os colegas também o estão. Dos nove
entrevistados, apenas um considera plenamente satisfatórios os
recursos existentes no município para garantir o atendimento
psiquiátrico, mesmo desativando os macro-hospitais da região. As
falhas apontadas referem-se a insuficiência de modalidades
alternativas de atendimento e deficiência nos serviços
existentes. Todos os entrevistados demonstraram preocupação e
descontentamento com a situação dos pacientes crônicos moradores
no hospital psiquiátrico e acreditam que eles deveriam ser
encaminhados para uma desospitalização em fases terapêuticas e
para serviços ressocializantes, embora expressem grande
descrença na efetivação dos projetos visando a reabilitação
desses doentes. (AU)
CAMPOS,
Florianita Coelho Braga, 1992. Considerações sobre o movimento
de reforma dos serviços de saúde mental. Revista Saúde em
Debate, 35: 77-79, Londrina. A partir de uma nova
experiência de co-gestão entre o serviço público e uma
instituição privada em Campinas/SP, o Sanatório Dr. Cândido
Ferreira, a autora tece algumas considerações sobre as
perspectivas e tendências do movimento de reforma dos serviços
de saúde mental.
CANÇADO,
Maura Lopes, 1979. O hospício é Deus - Diário I. Rio de
Janeiro: Record. Relato autobiográfico da jornalista/autora de
suas internações no Centro Psiquiátrico Pedro II (RJ), onde
desfilam importantes personagens da psiquiatria brasileira, e se
tem acesso à realidade cruel do mundo do internado. Por
intervenção da família o Diário II jamais seria publicado.
CARMO,
Célio Assis, 1981. Diagnóstico da situação de saúde mental e
assistência psiquiátrica no Brasil - Estado e política de saúde
mental no Brasil. In: Informe: saúde mental no Brasil,
01-04, Rio de Janeiro: Ibase. Comentário sobre a saúde mental
via a óptica do pobre, tendo como base as condições materiais e
culturais de desenvolvimento. Destaque para alguns dados
estatísticos da demanda psiquiátrica versus a oferta de
assistência. Trabalho apresentado ao Seminário sobre Saúde
Mental no Ibase em 27 de junho de 1981.
CARRARA,
Sérgio Luiz, 1987. Crime e loucura: o aparecimento do
Manicômio Judiciário na passagem do século. Dissertação de
mestrado, Rio de Janeiro: Museu Nacional, Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Nesta dissertação trato da questão da
emergência histórica de uma modalidade singular de exclusão
social, expressa de modo exemplar no tratamento legal e
institucional dispensado hoje aos delinquentes considerados
mentalmente doentes ou anormais. A estratégia da pesquisa
privilegiou dois níveis distintos de abordagem. Por um lado,
procurei analisar os campos discursivos especializados, a
antropologia criminal e a psiquiatria, esclarecendo o sentido de
algumas categorias relevantes: monomania, degeneração e
criminalidade nata. Nessa direção, interessei-me em apontar
relações significativas que se teciam entre o crime e a loucura
em finais do século XIX e início do século XX, momento em que se
assiste ao surgimento de manicômios judiciários, especialmente
destinados à reclusão dos loucos criminosos. Por outro lado,
busquei a maneira através da qual as categorias forjadas nesses
campos discursivos incidiam na prática judicial concreta. A
partir da descrição minuciosa de um caso médico-legal ocorrido
no Rio de Janeiro, na década de 1890, foi possível perceber que
a penetração de concepções cientificistas e bioderministas nos
tribunais comprometeu o funcionamento do sistema jurídico penal
liberal, condicionando, em certa medida, o aparecimento mesmo
dos manicômios judiciários e da legislação penal que os
sustenta. (AU)
CARVALHO,
Alexandre Magno Teixeira de, 1997. O elemento psychico
no trabalho humano: a Liga Brasileira de Higiene Mental e o
processo de produção discursiva do campo Trabalho e Higiene
Mental no Brasil entre 1925 e 1934. Dissertação de
mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública,
Fiocruz. Esta dissertação analisa a produção discursiva da
psiquiatria higienista brasileira, entre 1925 e 1934, que
enfoca, basicamente, as relações entre psiquismo e
trabalho humano, a partir da associação entre higiene
mental e trabalho. Denominamos Trabalho e Higiene Mental
(THM) o campo de saber e de práticas resultante da
interseção daqueles dois registros. O procedimento de análise
foi construído a partir da associação de elementos da
arqueologia do saber e da genealogia do poder, de
Michel Foucault. Os Archivos Brasileiros de Hygiene Mental
(ABHM) constituem a fonte de textos para exame. A
partir desses documentos, que incluem textos médicos ('artigos
originaes', resenhas e análises), relatórios, atas e anais de
reuniões, assembléias e congressos, realizou-se a análise dos
discursos produzidos pela Liga Brasileira de Hygiene Mental
(LBHM) que se referem às relações entre trabalho
e higiene mental. Buscou-se apontar suas condições de
possibilidade histórico-políticas, seus referentes conceituais
básicos (incluindo as dimensões do objeto, do enunciado e da
teorização) e seus objetivos quanto à formação e organização da
força de trabalho industrial emergente - além do alvo principal
das ações e dos principais agentes envolvidos no processo- ,
visando responder como essa formação discursiva se
constitui e se reproduz. (AU)
CERQUEIRA,
Luiz, 1984. Psiquiatria Social. problemas brasileiros de
saúde mental. Rio de Janeiro: Livraria Atheneu. Coletânea de
artigos do autor sobre psiquiatria social, preventiva e
comunitária e assistência psiquiátrica no Brasil. Textos sobre
as raízes e tendências da psiquiatria brasileira, sobre Ulisses
Pernambucano, sobre as políticas estaduais de assistência
psiquiátrica em Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, e sobre
a previdência social no âmbito da Previdência Social, com
riqueza de informações e dados estatísticos e com uma marcante
postura crítica.
CHARAM,
Isaac, 1986. A legislação sobre doentes mentais no Brasil.
Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de
Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Apresentação e discussão da legislação brasileira sobre
assistência e proteção à pessoa e bens dos doentes mentais.
Abrangendo o período Imperial, de 1841 a 1978, num total de 137
anos, pesquisadores em Diários Oficiais e Coleções de Leis. Em
especial critica-se o Decreto 24.559, de 3 de julho de 1934,
sobre o qual recaem que só em parte são respondidas. As
contradições e anacronismo da legislação cinquentenária exigem
sua total reformulação. A revisão da literatura brasileira
mostrou que as mesmas denúncias de médicos sobre o tratamento
dos doentes mentais, escritas em livros e revistas médicas desde
1868, continuam sendo formuladas em 1986. Há sugestões para nova
legislação, conforme recomendações da Organização Mundial de
Saúde, e apresentação dos Direitos dos Pacientes Psiquiátricos.
(AU)
COÊLHO
FILHO, Heronides, 1977. A psiquiatria no país do açúcare
oiutros ensaios. João Pessoa: Ed. União. O autor estuda a
constituição da psiquiatria na Paraíba e em Pernambuco, dando
especial ênfase aos atores e documentos de época. A obra ainda
reproduz importante documentação iconográfica.
COIMBRA,
Cecília Maria Bouças, 1992. Gerentes da ordem: algumas
práticas 'psi' nos anos 70 no Brasil. Tese de doutorado, São
Paulo: Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo. Ao
pretender neste trabalho analisar o que foram algumas práticas
psicoterapêuticas na década de 70 no Brasil, proponho um
repensar sobre elas, que demandas, modelos e subjetividades
atenderam, fortaleceram e produziram e em que contexto histórico
foram forjadas. Nesta viagem, caminho inicialmente pelas
subjetividades dominantes nos anos 60, 70 e 80 no Brasil.
Contextualizando historicamente estas três últimas décadas,
estudo algumas transformações ocorridas na sociedade brasileira
e, em especial, na família de classe média urbana, a principal
consumidora dessas práticas psicoterapêuticas. Objetivo
articular esta 'crise' da família moderna transversalizada por
um contexto histórico concreto com as subjetividades e demandas
que passam a ser fortalecidas e/ou produzidas nos anos 70,
quando a procura pelos especialistas 'psi' se faz sentir tão
fortemente. Através de entrevistas com 173 psicoterapeutas do
eixo Rio - São Paulo que atuaram e/ou tiveram sua formação na
década de 70, vou levando a chamada histórica instituída dessas
práticas nesses dois espaços geográficos. Estudo particularmente
as práticas psicanalíticas forjadas pelas Sociedades 'oficiais',
pelos diferentes grupos de psicólogos e pelo movimento
lacaniano, assim como algumas participações 'psi' ligadas ao
aparato repressivo brasileiro. Caminho, posteriormente, para as
práticas consideradas 'alternativas', como as psicodramáticas e
as vinculadas ao Movimento do Potencial Humano, onde incluo as
rogerianas, as gestaltistas e as 'neo-reichianas'. Ao final
analiso a produção de subjetividade na 2a metade dos anos 80 no
Brasil e o fortalecimento do movimento institucionalista, que
aponta para práticas efetivamente implicadas com os movimentos
sociais e populares. Assinalo, portanto, ao longo de todo este
trabalho, como a formação 'psi' foi e continua sendo
cotidianamente produzida por subjetividade, modelos e práticas
hegemônicos que forjam a todo momento domínios de saber,
objetos, conceitos, técnicas e sujeitos de conhecimento. (AU)
COSTA,
Jurandir Freire, 1976. História da psiquiatria no Brasil: um
corte ideológico. Rio de Janeiro: Documentário. Um dos
marcos da produção nacional sobre saúde mental, História da
Psiquiatria no Brasil faz um estudo sobre a origem e evolução do
pensamento psiquiátrico brasileiro. Com o objetivo de
revalorizar o interesse pela História da Psiquiatria no Brasil e
da Psiquiatria brasileira em geral, Jurandir Freire Costa
debruça-se sobre o pensamento psiquiátrico da Liga Brasileira de
Higiene Mental nos anos 20 e 30, mostrando o seu modo singular e
específico de apropriar-se de um conhecimento dito científico. A
quarta edição revista e ampliada, publicada pela Editora Xenon
(RJ) em 1989, tem duas importantes inclusões, uma apresentação e
um prefácio do autor.
COSTA,
Jurandir Freire, 1979. Ordem médica e norma familiar. Rio
de Janeiro: Graal. Estudo da ordem política do cotidiano, este
livro procura desvendar as origens da disciplina nossa de cada
dia. Assim, Ordem médica e norma familiar se propõe a
traçar a história da transformação e 'normativização' das
relações intra-familiares em determinados estratos da sociedade
brasileira. Itinerário que vai da família colonial à família
colonizada, percorrendo as múltiplas estratégias que vão moldar
a família burguesa contemporânea. O moderno sentimento familiar,
caracterizado pela intensidade das relações afetivas entre pais
e filhos, privacidade do lar e cuidados especiais para com a
infância, repetimos, nem sempre existiu tal como hodiernamente.
(LV)
DALGALARRONDO, Paulo, 1996. Civilização e loucura: uma
introdução à história da etnopsiquiatria. São Paulo: Lemos
Editorial. Ensaio sobre as origens históricas e sobre as noções,
conceitos e categorias básicas da etnopsiquiatria, com análise e
versão de textos originais de alguns dos primeiros alienistas (Moreau
de Tours e Emil Kraepelin), até as tendências mais
contemporâneas. Anexa ainda correspondência de Juliano Moreira
com Kraepelin.
DELGADO,
Pedro Gabriel Godinho, 1992. As razões da tutela -
psiquiatria, justiça e cidadania do louco no Brasil. Rio de
Janeiro: Tê Corá. Estudo sobre as relações entre a Psiquiatria e
a Justiça. Aborda a situação do louco infrator e do sujeito
interditado para os atos da vida civil, discutindo a legislação
existente e as tendências internacionais de mudanças normativas.
Discute determinados aspectos do Movimento pela Reforma
Psiquiátrica no Brasil.
DELGADO,
Pedro Gabriel Godinho, 1992. Psiquiatras, juizes e loucos:
modelos de interação entre a psiquiatria e a justiça, na luta
pela cidadania plena e reforma psiquiátrica no Brasil. Tese de
Doutorado, São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São
Paulo. O autor analisa as formas como se relacionam as
instituições psiquiátrica e judiciária no Brasil, e suas
implicações para a cidadania dos loucos e o processo de reforma
psiquiátrica. Faz estudo qualitativo sobre as práticas
judiciárias relativas ao louco infrator e a interdição civil.
Identifica os vetores simultâneos da criminalização da loucura e
psiquiatrização do delito, e o uso instrumental da interdição
para fins de controle de bens familiares e outros, e seu
incremento nas classes trabalhadoras. Conclui apontando limites
que o estatuto jurídico do louco e legislação e prática atuais
impõe ao processo de reforma, e indica cenários possíveis de
mudança da interação justiça-psiquiatria.
DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE
HOSPITAIS, 1982. Assistência psiquiátrica no âmbito da
Previdência Social. Psiquiatria em Revista, 1(2): 35-42,
Rio de Janeiro. O texto apresenta a visão do empresariado de
saúde, em decorrência do surgimento do Plano do CONASP. Traça um
painel da situação da assistência psiquiátrica no âmbito da
Previdência Social, e aponta a possibilidade de uma nova
assistência à saúde mental na Previdência, onde o atendimento
hospitalar vem articulado e integrado com o ambulatorial.
Debate-se, a partir de alguns dados, as condições dos serviços
prestados pelos hospitais privados em comparação com os
hospitais públicos e em relação também a outros países, nos
níveis de internações, custos, ambulatórios, etc. No artigo é
sugerido optar-se por um caminho evolucionista, partindo das
estruturas hospitalares e extra-hospitalares para ter uma
racionalização e integração dos recursos.
DUARTE,
Luiz Fernando Dias, 1985. Da vida nervosa: pessoa e
modernidade entre as classes trabalhadoras urbanas. Tese de
doutorado, Rio de Janeiro: Museu Nacional, Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Este é um estudo sobre a noção de Pessoa
entre as classes trabalhadoras urbanas a partir de suas
representações, discurso e prática sobre as perturbações,
físico-morais. Propõe-se aqui que o nervoso seja o núcleo de uma
complexa configuração de saberes que desempenha um papel
fundamental para a articulação daquela noção, ao permitir a
mediação entre os diversos planos da cultura e da visão de mundo
daquelas classes. Procede-se a uma análise da história da
configuração do nervoso, situando-a por oposição aos saberes da
melancolia anteriores ao século XVIII e aos saberes do
psicológico emergentes no inicio do século XX. Demonstra-se que
o intimo compromisso daquela configuração, em seu formato
erudito original, com a ideologia do individualismo se desfaz ao
passar para a cultura das classes trabalhadoras, vindo a servir
a um modelo hierárquico, holista, de pessoa e de mundo. A
análise do modo como o nervoso se imbrica com todos os níveis da
vida das classes trabalhadoras urbanas e ajuda a lhes revelar o
significado se baseia em material de pesquisas etnográfica
próprias e na informação disponível numa ampla bibliografia
sobre segmentos das classes trabalhadoras em todo Brasil (também
alguma informação sobre outros países e aportada). (AU)
ENGEL,
Magali Gouveia, 1995. A loucura na cidade do Rio de Janeiro:
idéias e vivências (1830-1930). Tese de doutorado, Campinas:
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual
de Campinas. A autora propõe-se a avaliar o processo de
construção da loucura como saúde mental, suas implicações e a
implementação de novos mecanismos de controle social na
sociedade brasileira do século XIX e inícios do XX; através da
criação de instituições asilares como o hospício, e da ampliação
das possibilidades de reclusão de um número progressivo de
pessoas diagnosticadas como doentes mentais na cidade do Rio de
Janeiro.
FAGUNDES,
Sandra, 1992. Saúde Mental coletiva: a construção no Rio Grande
do Sul. In: Psiquiatria sem hospício: contribuições ao estudo
da reforma psiquiátrica. (B. Bezerra Jr. & P. Amarante, orgs.),
pp. 57-70. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Trata-se de um
registro da trajetória, no final da década de 80, no Rio Grande
do Sul, no campo das políticas sociais - nas quais se insere a
saúde mental coletiva. O conteúdo concentra-se nas mudanças
desencadeadas a partir de 87 quanto à política, aos paradigmas,
à capacitação de pessoas, aos serviços, à organização do
trabalho e aos modos de atenção em saúde mental.
FIGUEIREDO,
Gabriel Roberto, 1988. O príncipe e os insanos. São
Paulo: Cortez. A partir do estudo das políticas de saúde mental
ao longo da história, o livro busca analisar as relações entre o
Estado e as concepções de saúde/doença mental. Inicia
dedicando-se ao aparecimento das idéias que organizaram o
pensamento político do capitalismo a partir do século XVI, com o
surgimento do Estado moderno até a Revolução Francesa, tecendo
algumas considerações sobre as relações do pensamento humano a
respeito das doenças mentais. Aborda ainda as idéias de Marx e
Freud, considerando suas colaborações para a construção do novo
modelo de Estado através do Socialismo Científico e de uma nova
visão da psicologia e da psicopatologia tendo como base a
Psicanálise. Finalmente, faz uma revisão histórica das práticas
psiquiátricas nos países capitalistas, com especial interesse
para o Brasil e o Estado de São Paulo.
FIGUEIREDO,
Gabriel, 1996. A evolução do hospício no Brasil. Tese de
Doutorado, São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Escola
Paulista de Medicina. O autor demonstra que a expressão
hospício, como sinônimo de casa de loucos, é uma
tradição brasileira. Admite que, em outros países, o hospício
abrigou doentes mentais, mas que a expressão não se tornou tão
tradicional para este fim como no Brasil. Aponta para o fato da
expressão hospício estar ligada à noção de caridade. Esta noção
impregnou este modelo assistencial, mesmo depois de ter sido
contemplado com outras denominações tais como: casa de saúde,
sanatório, manicômio, hospital psiquiátrico, entre outras.
Enfatiza também que o controle social considerado como de
área interna, tais como pecado, culpa e redenção, e de
área externa como isolamento, contenção e punição, está na
base do advento do hospício como casa de loucos no
Brasil, o que ocorreu mesmo antes da chegada da psiquiatria. A
partir de então, o autor examina as políticas de saúde mental
desenvolvidas no Brasil desde a segunda metade do século XIX e
considera que, a visão centrada no hospital que as
caracterizaram até hoje, entre outros fatores, está envolvida
pelo binômio caridade - controle social, que a interferir no
espaço psiquiátrico pode conduzir a procedimentos não
científicos.
FIRMINO,
Hiram, 1982. Nos porões da loucura. Rio de Janeiro:
Codecri, 2ª edição. Trabalho jornalístico sobre a contundente e
violenta realidade a que eram submetidos os internos do Hospital
de Barbacena (MG), inspirado pela visita de Franco Basaglia
aquele hospital. Por esta reportagem o autor recebeu o Prêmio
Esso de Jornalismo de 1980.
FRAGA,
Maria de Nazaré de Oliveira, 1993. A prática de enfermagem
psiquiátrica: subordinação e resistência. São Paulo: Cortez
Editora. Publicação que busca apreender as características da
prática de enfermagem no Ceará: atividades desempenhadas por
diversos de seus agentes, concepções dos agentes sobre o
trabalho que executam, que clientela é assistida e as concepções
destes profissionais sobre saúde/doença mental.
FRANÇA,
Jairo Coutinho & CARMO, Célio Assis, 1981. A crise na
assistência psiquiátrica - Um esclarecimento sobre a legislação.
In: Informe: saúde mental no Brasil, 05-22, Rio de
Janeiro: Ibase. Trabalho apresentado ao Sindicato dos Médicos do
Rio de Janeiro, em agosto de 1978, como contribuição ao estudo
da assistência psiquiátrica. Analisa a pouca eficácia da
legislação sobre assistência psiquiátrica no Brasil, tanto do
ponto de vista legal quanto do político-econômico. São
relacionados os principais documentos (orientações de serviços,
portarias, leis) de caráter comunitário.
GIORDANO
JÚNIOR, Sylvio, 1989. A persistência da higiene e a doença
mental: contribuição à história das Políticas de Saúde Mental no
Estado de São Paulo. Dissertação de mestrado, São Paulo:
Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. O objetivo
deste trabalho é estudar as políticas de assistência ao doente
mental no âmbito do Serviço Público do Estado de São Paulo por
meio das construções discursivas sobre a loucura e suas
modificações nos diversos contextos históricos. O período
coberto vai da fundação do Hospício de Juqueri à década de 80,
com ênfase no período 1950-1982. Para atingir este objetivo o
autor partiu de estudos clássicos sobre a emergência da
psiquiatria, sua relação com a medicina, sua incorporação às
instituições estatais e seus desenvolvimentos teóricos. O
aspecto coletivo, que atravessa os diversos momentos da prática
psiquiátrica, é apreendido por comparação com os objetivos da
Saúde Pública. A abordagem da situação do Estado de São Paulo é
realizada por meio de fontes diretas e indiretas, com vistas à
elaboração de um quadro de referência histórico dos modelos de
compreensão da loucura levando-se em conta o contexto
sócio-político nacional e estadual. O autor conclui que a
História das Políticas de assistência psiquiátrica pode ser lida
como história das proposições higiênicas em processo de
reformulação e rearticulação. Propõe-se uma periodização, com
vistas a estudos posteriores com maior nível de aprofundamento:
período 1898-1923 - proposições que remetem à idéia geral de
Higiene; período 1923-1947 - proposições de Higiene Mental
americana adaptada às necessidades locais. Proposições
semelhantes às da Higiene Social do século XIX e dirigidas ao
proletariado urbano; período 1947 até o presente - retomada dos
aspectos psicodinâmicos da Higiene Mental americana e
aproximação com a Saúde Pública. A partir da década de 70
substituição da Higiene Mental pelo conceito de Saúde Mental.
(AU)
GOLDBERG,
Jairo Idel, 1992. A doença mental e as instituições: a
perspectiva de novas práticas. Dissertação de mestrado, São
Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. O
trabalho se propõe a estudar os equipamentos que atendem os
casos graves de doença mental (psicoses e neuroses graves) no
âmbito da rede pública de atenção à saúde mental no Estado de
São Paulo. O hospital psiquiátrico e o ambulatório de saúde
mental são responsáveis pela maioria desses atendimentos, e
configuram modelos terapêuticos que centram o tratamento na
expressividade do sintoma. Na investigação de novas modalidades
de atendimento o estudo aborda o projeto de um equipamento da
rede pública, o Centro de Atenção Psicossocial Prof. Luiz da
Rocha Cerqueira - CAPS, que vem desenvolvendo nos últimos cinco
anos proposta de tratamento, ensino e pesquisa, preocupando-se
também com a reabilitação desses pacientes. Subsidiando a
experiência do CAPS, o trabalho relata alguns projetos
implantados na Europa, com desenvolvimentos e resultados
diferenciados, cuja característica comum é a de terem realizado
crítica das instituições psiquiátricas convencionais, centradas
na sintomatologia, e apontado para novas formas de atenção à
doença mental em instituição. (AU)
GUIMARÃES,
Cristiane de Carvalho, 1998. O usuário dos serviços de saúde
mental no contexto da Reforma Psiquiátrica - um estudo de caso.
Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: Departamento de
Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
O presente trabalho analisa o lugar/papel social atribuído ao
louco na história da psiquiatria, buscando tornar claro, no
momento atual, a ruptura que a Reforma Psiquiátrica propõe ao
colocá-lo - o louco - como sujeito de sua história. As propostas
da Reforma são comumente associadas à superação ou desconstrução
do chamado paradigma clássico da psiquiatria. Este trabalho,
portanto, considera primeiramente a noção de paradigma e sua
relevância no entendimento do saber psiquiátrico. No Brasil a
formação deste paradigma incorpora diversos movimentos
denominados muitas vezes de reformas. O movimento de Reforma
Psiquiátrica Brasileira, diferente das anteriores porém, propõe
agora alcançar o que as " reformas" anteriores não alcançaram e
mesmo, sequer se propuseram a fazer: a superação do consenso
compartilhado pela comunidade científica de que o fenômeno da
loucura é algo a ser excluído de nossa sociedade. Novos
conceitos de atendimento surgem em acordo com este movimento. O
Centro de Atenção Psicossocial CAPS Rubens Corrêa é um exemplo
no município do Rio de Janeiro criado a partir destas novas
tecnologias de cuidado. A pesquisa de campo foi realizada nesta
instituição onde, além de serem entrevistados 11 de seus
usuários, foram também analisados seus documentos e observado
seu funcionamento. Foi realizada revisão bibliográfica e
documental além de análise de entrevistas dos usuários.
Procurando contemplar a diversidade do processo, toma-se a fala
desses atores sociais - os usuários - como legítima e
representativa. Buscar-se-á, portanto, nela, os parâmetros
daquilo que eles estabelecem como o novo em relação à realidade
anterior. Concluiu-se que, a despeito dos efetivos progressos
alcançados pelos usuários no CAPS, a Reforma é um processo longo
e complexo exigindo, portanto, ainda diversos esforços para
atingir um rompimento com o paradigma clássico da psiquiatria e
a construção da cidadania das pessoas acometidas de algum
sofrimento mental. (AU)
GUIMARÃES,
Humberto, 1994. Para uma psiquiatria piauiense. Teresina:
COPEMI. O autor propõe mostrar aspectos históricos da evolução
psiquiátrica, em alguns países e no Brasil, com especial
dedicação à história da psiquiatria no Piauí. O livro contém
fotos e reprodução de documentos sobre a história da psiquiatria
piauiense.
JACOBINA,
Ronaldo Ribeiro, 1982. O asilo e a constituição da
psiquiatria na Bahia. Dissertação de mestrado, Salvador:
Faculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia. Com o
objetivo de retraçar a história da Psiquiatria asilar no Estado
da Bahia, tentando-se apreender os determinantes da permanência
do Asilo enquanto instituição prestadora de serviços,
procede-se, inicialmente, a uma revisão do desenvolvimento
histórico das estratégias psiquiátricas em sociedades
capitalistas. Após a sistematização de algumas questões teóricas
pertinentes à análise da prática asilar, passa-se ao estudo do
nascimento do Asilo no Brasil, de meados do século XIX à década
de 20 do século atual. Na segunda parte, discute-se os
antecedentes e determinantes do surgimento do Asilo na Bahia, ou
seja, o movimento pela criação do Asilo São João de Deus, que
ocorreu em 1874. A seguir são analisados os dois momentos da
primeira fase da história do Asilo - de 1874 a 1912 - marcada
pela vinculação à Santa Casa de Misericórdia. No primeiro
momento, o Asilo esteve sob direção médica que, em 1882, foi
afastada pelas suas divergências técnico administrativas com a
instituição religiosa, sendo substituída por uma direção 'leiga'
da própria Santa Casa. É analisada, nesse segundo momento, a
luta organizada dos médicos - imprensa, associação profissional,
parlamento - pela retomada da direção do asilo, conquista que
delimita o período estudado. Discute-se especificamente tanto os
saberes e as técnicas quanto os agentes - alienistas - da
prática asilar na Bahia, buscando-se apreender o grau de difusão
e incorporação à essa prática de propostas oriundas da Europa: o
alienismo francês, predominante até o início do presente século,
quando foi superado pelo organicismo, principalmente alemão.
Analisa-se também as características da população asilada, ou
seja, dos loucos denominados de alienados, as condições a que
estavam expostos e a ocorrência de doenças e mortes.
Comparando-se alguns dados de morbimortalidade com situação
financeira e administrativa do Asilo, são levantados alguns
elementos explicativos para os fenômenos encontrados,
destacando-se o significado de reclusão e até extinção física
(principalmente pela fome) do alienado, possibilitada pela sua
condição de duplamente excluído - enquanto oriundo das 'classes
desvalidas' e enquanto louco, improdutivo e potencialmente
perigoso.(AU)
JACÓ-VILELA, Ana Maria; JABUR, Fábio; RODRIGUES, Heliana de
Barros Conde, 1999. Clio-Psyché: histórias da Psicologia no
Brasil. Rio de Janeiro: NAPPE/UERJ. Coletânea de trabalhos
apresentando no I Encontro Clio-PsychéÇ histórias da Psicologia
no Brasil, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro
em 27 e 28 de maio de 1998. Reúne artigos de diferentes
abordagens (psicologia, filosofia, antropologia, sociologia, etc),
todos ancorados na perspectiva da histórias das práticas e
saberes em psicologia e saúde mental, principalmente no Brasil.
Dentre os autores encontram-se ainda, além dos organizadores,
Antonio Gomes Penna, Luiz Fernando Dias Duarte, Jane Russo,
Cecília Coimbra, Eduardo Vaaconcelos, dentre outros.
KEUSEN,
Alexandre Lins, 1995. Colônia Juliano Moreira: do asilo ao
Complexo Multi-Assistencial. Reflexões sobre a trajetória de uma
instituição psiquiátrica. Tese de doutorado, Rio de Janeiro:
Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de
Janeiro. O autor discute a trajetória da Colônia Juliano
Moreira, com a finalidade de refletir sobre as alternativas
assistenciais para população de pacientes crônicos na cidade do
Rio de Janeiro. Propõe uma discussão de alternativas que se
adeqüem às necessidades e demandas da clientela, dentro do
modelo da desinstitucionalização. Analisa as versões históricas
do 'mito de origem' do asilo, comparando-as e discutindo suas
implicações na atual política de saúde mental. Examina o
processo da desinstitucionalização, através de seu significado e
dos fatores que determinaram o seu surgimento e dos modelos de
implementação nos diferentes contextos socioculturais. Investiga
o perfil da clientela da C.J.M. e o nível de inserção destes nos
diferentes projetos em curso, a partir da análise dos dados do
Censo de Pacientes Crônicos de 88/9, do estudo da clientela da
Etapa I (um dos programas da instituição) e da entrevista com os
'novos crônicos' do Hospital Jurandir Manfredini. A análise
desta população permite sua diferenciação em subgrupos com
características distintas, tanto no nível demográfico, como
clínico e demonstra que os programas atendem a grupos
particulares do conjunto da clientela. O autor propõe um modelo
de intervenção terapêutica, compatível com a percepção da
diversidade e multiplicidade de características e fatores
vinculados a processo de transformação assistencial. Discute os
componentes assistenciais necessários para o suporte do ambiente
familiar como o espaço terapêutico do modelo da
desinstitucionalização e a moradia, o trabalho, o apoio
sócio-jurídico e o assistencial como componentes fundamentais
deste movimento. Conclui analisando a trajetória da C.J.M., a
partir dos diferentes modelos empregados na instituição, e
aponta para as mudanças de paradigma que acompanham este
processo de transformação.
LANCMAN,
Selma & HEGENBERG, Mauro, 1990. A história do Movimento dos
Trabalhadores de Saúde Mental no Estado de São Paulo. São Paulo,
mimeo. O texto faz uma introdução partindo dos movimentos
sociais para os movimentos em Saúde Mental. Periodiza este
último entre 1978 e 1982, desde o surgimento do movimento até a
extinção da maioria dos grupos atuantes. Relata as histórias do
Grupo de Saúde Mental do CEBES, do Núcleo de Psiquiatria e
Psicologia Social, e da Frente de Defesa dos Direitos Humanos do
Doente Mental.
LOUGON,
Maurício, 1987. Os caminhos das mudanças: alienados,
alienistas e a desinstitucionalização da assistência
psiquiátrica pública. Dissertação de mestrado, Rio de
Janeiro: Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Este estudo objetiva analisar uma experiência de transformação
empreendida em uma instituição psiquiátrica tradicional para
pacientes crônicos, a Colônia Juliano Moreira de Jacarepaguá,
Rio de Janeiro, na primeira metade dos anos 80. O projeto de
mudança é abordada a partir da a categoria mais abrangente da
desinstitucionalização da assistência psiquiátrica. Para tal,
após uma descrição etnográfica do meio asilar, são examinadas as
premissas e matrizes teóricas que fundamentaram o modelo
assistencial das 'Colônias', nas primeiras décadas do século, e
contemporânea. A estratégia adotada pelos agentes e limites do
empreendimento, que é relativizado a seus antecedentes
históricos. (AU)
LOUGON,
Maurício; AZEVEDO, Creuza da Silva e SAUD, Patrícia, 1984.
Assistência Psiquiátrica Pública no Brasil: Modelo e Estratégias
entre 1920-1940. Cadernos de psiquiatria social, 2(1):
03-08, Rio de Janeiro. O texto objetiva investigar como ocorreu
em nosso meio, na primeira metade do século, a transformação do
alienismo tradicional e de seu instrumental teórico/técnico
dirigido para os internos do hospício, na psiquiatria voltada
para a intervenção extra-muros, na família, na educação, na
raça, e na sociedade como um todo. Nesse processo de ampliação
do campo de abrangência da psiquiatria, procura-se identificar
as estratégias de intervenção adotadas no empreendimento
extra-asilar, como alternativas ao hospício fechado. Neste
sentido surgem as colônias, e por outro lado, fundamentadas na
prevenção através da higiene e profilaxia surgem os dispensários
e ambulatórios.
LUZ, Madel
Therezinha, 1994. A história de uma marginalização: a política
oficial de Saúde Mental. Ontem, hoje, alternativas e
possibilidades. In: Psiquiatria social e reforma psiquiátrica
(P. Amarante, org.), pp. 85-95, Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz. A partir do conceito de Política de Saúde Mental como
'(...) a maneira como o Estado conduz o problema das condições
de vida das classes trabalhadoras', Estado este entendido como
'(...) conjunto de aparelhos institucionais, repressivos e
ideológicos' que mediatiza saberes e práticas institucionais, a
autora busca conciliar a análise histórica
conjuntural-estrutural. Salienta-se a presença do Estado e do
psiquiatra no processo de marginalização e exclusão, que está
presente tanto no modelo asilar, quanto na limitação da prática
preventivista no Brasil. (O texto foi produzido originalmente em
1980).
MACEDO,
Maurício Roberto Campelo, 1981. Políticas de saúde mental no
Brasil. Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: Instituto
de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O
objetivo deste trabalho é estudar as políticas de saúde mental
desenvolvidas pelo Estado brasileiro - ou seja, as soluções
propostas à questão das condições de saúde mental da população
brasileira - destacando o movimento das comunidades terapêuticas
como concretização de práticas assistenciais que se apresentam,
num determinado momento histórico, como alternativas ao modelo
asilar de gestão asilar da loucura. Pretende, num primeiro
momento, perceber as origens e a organização do modelo de gestão
asilar da loucura em suas múltiplas articulações com as diversas
instâncias sociais ligadas à esta questão; procurando, num
segundo momento, analisar a emergência e o desenvolvimento da
ofensiva preventivista, enquanto projeto de reorganização de
práticas da psiquiatria, que inclui, no seu interior, as
comunidades terapêuticas. (AU)
MACHADO,
Roberto; LOUREIRO, Angela, LUZ, Rogério & MURICY, Kátia, 1978.
Danação da norma: medicina social e constituição da
psiquiatria no Brasil. Rio de Janeiro: Graal. Estudo de
história dos saberes, este livro tem por objetivo dar conta do
nascimento de um tipo de medicina característico da sociedade
capitalista. Analisa os conceitos básicos da medicina social e
da psiquiatria brasileiras; mas não se limita a uma abordagem
interna: pretende refletir sobre esses saberes como prática
social. Estabelece uma relação entre as teorias e as práticas
políticas não em termos de exterioridade ou de justaposição, em
que o poder se apropriaria de uma neutralidade científica e a
utilizaria segundo objetivos que lhe são extrínsecos, mas de
imanência: a dimensão política é constitutiva da existência dos
discursos. Não se trata, portanto, de julgar a cientificidade da
medicina, mas de analisar que novo tipo de saber ela representa
e que novo tipo de poder ela implica necessariamente. O objetivo
do trabalho é compreender a figura moderna da medicina, seu
papel na sociedade, sua ambição como instrumento
técnico-científico a serviço, direta ou indiretamente, do
Estado. A nova forma de presença da medicina tem uma origem
histórica: política e conceitual. (AU)
MACIEL,
Laurinda Rosa, 1999. A Loucura Encarcerada: Um estudo sobre a
criação do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1896-1927).
Dissertação de Mestrado, Niterói: Programa de Pós-Graduação em
História. Universidade Federal Fluminense. Este trabalho
pretende contribuir com as pesquisas em torno de alguns aspectos
referentes às discussões sobre a psiquiatria no Brasil,
principalmente aqueles pertinentes aos debates acerca da criação
do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro em 1921. Estes
debates, se podemos datá-los historicamente, tiveram seu início
mais provável por volta de 1896, a partir da fuga de um interno
do Hospício Nacional de Alienados chamado Custódio Alves Serrão.
Em 1920, outra fuga de internos da mesma instituição traz de
volta os debates sobre o tema, reforçando a necessidade de se
fundar uma instituição onde se pudesse abrigar os loucos
criminosos e os criminosos loucos. A pesquisa não trata de uma
história institucional do Manicômio Judiciário, mas o que se
busca é o início dos debates que fez a sociedade crer na
necessidade de uma instituição para internar os loucos
criminosos e os criminosos alienados. Primeira instituição do
gênero da América Latina, criado em 1921, no Rio de Janeiro, o
Manicômio Judiciário conquista seu espaço na sociedade,
ratificando seu duplo caráter ao estabelecer uma ponte de
comunicação entre a Psiquiatria e o Direito. (AU)
MAGRO
FILHO, João Baptista, 1992. A tradição da loucura - MG (1870
/ 1964). Minas Gerais: COOPMED Editora / UFMG. O autor
observa MG sob a ótica da loucura e sua contrapartida, o
tratamento. O texto documenta as origens do atendimento
psiquiátrico no estado, o processo de institucionalização e a
progressiva organização do setor no período de 1870-1964.
MEDEIROS,
Tácito Augusto, 1977. Formação do modelo assistencial
psiquiátrico no Brasil. Dissertação de mestrado, Rio de
Janeiro: Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio
de Janeiro. Estudo da constituição do modelo assistencial
psiquiátrico brasileiro, desde a criação do Hospício de Pedro
II, na Praia Vermelha, e dos principais hospitais psiquiátricos
em vários Estados brasileiros, até a década de 70 deste século.
Ênfase especial é dada ao período e às políticas de privatização
da assistência psiquiátrica no âmbito da Previdência Social.
MELMAN,
Jonas, 1998. Repensando o cuidado em relação aos familiares
de pacientes com transtorno mental. Dissertação de Mestrado,
São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.
Este estudo se propõe descrever e analisar o conjunto de
práticas desenvolvidas em torno do cuidado em relação aos
familiares de pacientes com transtorno mental, a partir da
parceria entre o Centro de Atenção Psicossocial Luís da Rocha
Cerqueira (CAPS) e a Associação Franco Basaglia, em São Paulo,
capital. Inicialmente, o autor buscou articular o processo
histórico e social que deu origem às características atuais da
família nuclear moderna e suas eventuais implicações com as
vivências de sofrimento e culpa dos familiares quando um de seus
membros adoece. Também são resumidamente apresentadas e
discutidas as diferentes modalidades de intervenção familiar na
saúde mental. Nesse sentido, o trabalho se voltou a repensar as
abordagens no cuidado em relação aos familiares e suas possíveis
relações com seus processos de culpabilização. O enfoque das
intervenções familiares desenvolvidas no CAPS na Associação
procura estimular os processos de subjetivação, entendidos como
a descoberta de novas possibilidades de existenciais para os
familiares, ajudando-os na negociação cotidiana de seus
problemas. A proposta igualmente enfatiza a importância de
mobilizar os talentos e os recursos dos sujeitos, no sentido de
possibilitar a sua participação ativa na definição e
implementação de práticas em saúde mental. (AU)
MELO,
Octacília Josefa de, 1978. Terapia Ocupacional: Minhas
Experiências. Rio de Janeiro: Disful. A autora oferece um
depoimento de suas experiências em terapêutica ocupacional, após
trinta anos de atuação no campo profissional. O livro contém
fotos e depoimentos de pacientes, bem como uma pequena
entrevista com Luiz Cerqueira, com quem a autora trabalhou.
MINISTÉRIO
DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL/CONASP, 1983. Programa de
reorientação da assistência psiquiátrica. Boletim do
Ministério da Previdência e Assistência Social, 05-19,
Brasília. O programa propõe a implantação do modelo de atenção
psiquiátrica integral, priorizando o tratamento ambulatorial,
visando obter uma qualidade melhor da assistência prestada. Tem
como pontos principais: limitação de número de leitos,
utilização de médicos gerais em e ambulatórios gerais, incentivo
aos hospitais-dia, hospitais-noite, oficinas terapêuticas, etc.
Tem ainda como proposta a regionalização, integração e
hierarquização do atendimento em saúde mental. É o documento
conhecido como 'Plano do CONASP' da Saúde Mental.
MINISTÉRIO
DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL/INAMPS/CONASP, 1983. Projeto
de regionalização e hierarquização da assistência médica no
Município do Rio de Janeiro - área de psiquiatria. Rio de
Janeiro: CONASP. Projeto que estabelece um programa de
regionalização e hierarquização da assistência psiquiátrica no
Município do Rio de Janeiro. Estimula a abordagem
multidisciplinar no atendimento psiquiátrico, e considera o
ambulatório como o elemento central da assistência. O município
do Rio de Janeiro é dividido em áreas programáticas (AP),
tornando o atendimento a regionalizado. Os hospitais próprios da
rede pública passam a ser hospitais de base no âmbito de sua AP,
responsáveis pela supervisão do sistema.
MINISTÉRIO
DA SAÚDE,1994. Projeto de estruturação do Hospital Phillipe
Pinel. Projeto do Ministério da Saúde referente à
estruturação do Hospital Dr. Phillipe Pinel. O projeto é
constituído de documentos referentes à transformação, da
proposta de novo regimento interno e de carta de princípios e
direitos do paciente.
MINISTÉRIO
DA SAÚDE/DIvisão Nacional de Saúde Mental, 1985. A Política de
Saúde Mental da Nova República. Brasília, mimeo. O texto foi
elaborado pela Divisão Nacional de Saúde Mental com o objetivo
de formular uma política para o sub-setor no contexto do período
denominado de Nova República, a partir dos encaminhamentos do
VII Encontro Nacional de Psiquiatria Preventiva e Social.
MINISTÉRIO
DA SAÚDE/Divisão Nacional de Saúde Mental, 1988. Relatório final
da I Conferência Nacional de Saúde Mental. Brasília: Centro de
Documentação do Ministério da Saúde. Relatório final da I
Conferência, realizada entre 25 e 28 de junho de 1987 no Rio de
Janeiro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tendo como
temas básicos: I- Economia, Sociedade e Estado: Impactos sobre
saúde e doença mental; II- Reforma sanitária e reorganização da
assistência à saúde mental; e, III- Cidadania e doença mental:
direitos, deveres e legislação do doente mental.
MONTEIRO,
Janeme G., 1990. Pinel: o pai da psiquiatria moderna. São
Paulo: Edicon. Estudo biográfico de Philippe Pinel, fundador da
medicina mental, com riqueza de dados históricos e, inclusive,
com muitas referências a seus descendentes que imigraram para o
Brasil.
MORAES,
Anfilófio, s.d. Coletânea de textos. Coletânea de textos
(extraídos do acervo histórico da DINSAM) feita por um
funcionário do Centro Psiquiátrico Pedro II. Há textos sobre
Pedro II, Phillipe Pinel, Hospital D. Pedro II, Colônia de
alienados, Manicômio Judiciário, Colônia Juliano Moreira, Escola
de enfermagem Alfredo Pinto, organização da psiquiatria nos
estados, Juliano Moreira e suas obras, Teixeira Brandão,
Henrique Brito Belfort Roxo, Raimundo Nina Rodrigues e Júlio
Afrânio Peixoto.
NICÁCIO,
Maria Fernanda de Silvio, 1994. O processo de transformação
da saúde mental em Santos: desconstrução de saberes,
instituições e cultura. Dissertação de mestrado, São Paulo:
Departamento de Ciências Sociais, Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. A presente dissertação analisa o processo
de transformação da Saúde Mental realizado no município de
Santos durante o período de 1989 a 1994. Esta experiência é
compreendida como processo social complexo que, a partir da
desmontagem do manicômio como síntese da 'instituição a ser
negada', projeta a construção da Saúde Mental como território de
cidadania, emancipação e reprodução social. A estratégia desta
prática em desenvolvimento é a da extinção progressiva do
manicômio e sua substituição por uma rede de serviços de atenção
regionalizada, por estruturas de suporte social e por projetos
de intervenção cultural. O enfoque fundamental deste trabalho é
a compreensão de conceitos, conteúdos, estratégias e
contradições que emergem nesta trajetória. Dessa forma, este
estudo analisa as discussões teóricas e as inovações práticas
que permeiam a transformação do modelo fundado no paradigma
psiquiátrico de relação com a loucura. (AU)
NOGUEIRA,
Alexandre Barbosa, 1993. Avaliação do Programa de Saúde
Mental Comunitária do Piauí. Tese de doutorado, Rio de
Janeiro: Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio
de Janeiro. O autor sumariza a evolução histórica da psiquiatria
do Piauí, desde a fundação do Asilo de Alienados de Teresina em
1907, até a instalação do Programa de Saúde Mental Comunitária
do Piauí-PMSC - PI em 1983. Descreve as propostas do Programa,
dentre as quais a regionalização da assistência psiquiátrica no
Estado e na Capital (Teresina), a hierarquização dos serviços de
saúde mental integrados ao sistema estadual de saúde e a reforma
do Hospital Areolino de Abreu. Este hospital, situado na
Capital, passa então a funcionar como hospital de referência do
PSMC-PI. Assinala também resistências permeadas pela política
partidária. A pesquisa utilizou em questionário e uma entrevista
padronizados para avaliar as opiniões de 49 profissionais de
saúde de nível superior direta ou indiretamente envolvidos com o
PSMC-PI. Também utilizou dados oficiais fornecidos pela
Secretaria de Saúde do Estado sobre o Tempo Médio de Permanência
dos pacientes internados nos hospitais gerais do Interior e no
hospital psiquiátrico estadual da Capital. (AU)
Núcleo de
Psiquiatria e Psicologia Social/Instituto Sedes Sapientiae,
1978. Aos profissionais e estudantes na área de saúde mental.
São Paulo: ISS, mimeo, 04 pp. Histórico do Núcleo de Psiquiatria
e Psicologia Social do Instituto Sedes Sapientiae (SP-1978)
cujas temáticas são a formação profissional em saúde mental, o
desenvolvimento de novas formas de atendimento e experiências
alternativas. Seu objetivo é formar uma rede de intercâmbio com
outros grupos, discutindo políticas de saúde mental, elaborando
críticas às técnicas, práticas e teorias. O texto foi preparado
para o simpósio da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC) em SP.
OGATA,
Márcia Niituma, 1992. Contribuição à história da enfermagem
psiquiátrica brasileira. Dissertação de Mestrado, Ribeirão
Preto: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo. Este
trabalho tem por objetivo contribuir para a história da
enfermagem psiquiátrica brasileira, no sentido de fornecer dados
que representem sua prática e evolução. Estes dados representam
o ponto de vista dos profissionais que vivenciam esta prática
por acreditarmos que são parte integrante dessa história e,
portanto, responsáveis pela prática e participantes das mudanças
dessa área. Para realizar esse estudo foi necessário conhecer as
informações divulgadas na literatura sobre a psiquiatria no
Brasil, desde a criação do Hospital D. Pedro II, em 1842, no Rio
de Janeiro. Este foi um marco importante para a
institucionalização da psiquiatria no Brasil e, consequentemente
da enfermagem psiquiátrica, visto que o evoluir da enfermagem
acompanha as mudanças ocorridas na área da psiquiatria as quais,
por sua vez, estão ligadas à estrutura social e econômica do
país. Para tal, foi utilizada a metodologia da história de vida,
através da técnica da história oral. Partimos do princípio de
que são os profissionais que atuam na área, construindo a
história, através de sua participação e vivências práticas.
Portanto, utilizamos as vivências desses profissionais, contadas
por eles próprios, para tentarmos resgatar alguns pontos
importantes da história da enfermagem psiquiátrica brasileira.
(AU)
PASSOS,
Marci Dória, 1984. O processo de legitimação do psicanalista:
uma análise do Núcleo de Estudos e Formação. Dissertação de
Mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de Psicologia, Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. Este estudo está
voltado para a compreensão do processo de legitimação do
psicanalista. Com esse objetivo recorremos aos trabalhos de
alguns cientistas sociais que tratam da questão da
profissionalização, e mais particularmente às formulações do
sociólogo francês Pierre Bourdieu; bem como às análises feitas
por psicanalistas que se interessaram em pensar a questão
específica da formação psicanalítica. A partir da análise feita
por Pierre Bourdieu sobre a autonomização do campo de produção
intelectual e/ou artística procuraremos compreender a lógica de
funcionamento do campo psicanalítico no que diz respeito ao seu
processo de legitimação, o qual acompanhamos no momento da
constituição do campo psicanalítico, através da trajetória de
Freud e seus seguidores, que inclui a criação de International
Psychoanalytical Association como órgão legitimador privilegiado
do psicanalista. Esse poder legitimador da IPA só vem a ser mais
consistentemente questionado a partir das formulações de Jacques
Lacan que, falando 'em nome' de Freud, propões um modelo
alternativo de formação em psicanálise. Finalmente buscamos
reencontrar essas questões em sua dimensão mais concreta
voltando-nos para uma experiência de institucionalização levada
adiante no Rio de Janeiro em 1978 por um grupo de psicólogos
empenhados em constituir um modelo alternativo de formação em
psicanálise: o Núcleo de Estudos e Formação Freudiana - o NEFF.
(AU)
PAULIN,
Luiz Fernando Ribeiro da Silva, 1998. A criação de um serviço
de urgência psiquiátrica: uma análise histórica documental e
oral. Tese de Doutorado, Campinas: Faculdade de Ciências
Médicas, Universidade Estadual de Campinas. Este trabalho teve
como objetivo reconstituir historicamente a criação da Unidade
Psiquiátrica de Urgência - UPU - do Hospital e Maternidade Celso
Pierro - HMCP - da Pontifícia Universidade Católica de Campinas
- PUCCAMP , tendo como referencial metodológico as análises
históricas documental e oral. Inicialmente, estudou-se o
processo de reestruturação da assistência psiquiátrica no Brasil
nas décadas de 70 e 80. Na primeira parte do trabalho,
analisaram-se as contradições da política oficial de saúde
mental no país, enfocando critérios técnicos influenciados pelo
modelo preventivista norte-americano e a prática de
financiamento e fortalecimento das instituições hospitalares
psiquiátricas privadas. Ainda nessa parte, detive-me ao processo
de organização da sociedade civil e a democratização do país na
década de 80, refletindo significativamente na viabilização de
propostas reformistas na saúde mental, questionando o papel das
instituições psiquiátricas e dos profissionais da área. Foi
estudado também o reflexo da mudança da política de saúde mental
no Estado de São Paulo e no município de Campinas, resultando na
criação de modelos assistenciais, tais como a UPU - HMCP -
PUCCAMP. A partir de ampla análise documental e de entrevista
com vinte e uma pessoas que participaram direta ou indiretamente
da formação da UPU, identificaram-se as causas que desencadearam
esse processo. Foi detectado que a criação da UPU, apesar da
intensa participação de setores do sistema público de saúde de
Campinas, não garantiu a influência destes no planejamento,
organização e gerenciamento do serviço. Deve-se destacar que,
embora vinculado a um hospital de ensino, a UPU, ao menos no
início funcionava basicamente como um serviço assistencial, com
tímida ação no treinamento e formação de profissionais na área
de saúde. Esse papel só veio se estabelecer através do convênio
entre a Secretaria de Estado de Saúde do Estado de São Paulo e a
PUCCAMP, viabilizando a criação de um Programa de Residência
Médica conjunto que, no entanto, sofreu intensas restrições
internas de setores da Faculdade de Ciências Médicas. O
isolamento da UPU com os vários serviços assistenciais em
Campinas e região, a dificuldade de planejamento de um prática
assistencial compatível com o ensino e os conflitos internos
existentes na estrutura do serviço contribuíram para
obstaculizar a consolidação de um modelo assistencial cuja
proposta, na sua origem, era reformular uma
PERES,
Maria Fernanda Tourinho, 1997. Doença e Delito - relação
entre prática psiquiátrica e poder judiciário no Hospital de
Custódia e Tratamento de Salvador, Bahia. Dissertação de
mestrado, Salvador: Instituto de Saúde Coletiva, Universidade
Federal da Bahia. O Hospital de Custódia e Tratamento (HCT) de
Salvador-BA é uma instituição vinculada à Secretaria de Justiça
e Direitos Humanos do Estado, que tem como objetivo custodiar e
tratar doentes mentais que cometerem crimes e que estão sob a
guarda da justiça. Com o objetivo de avaliar a relação entre a
prática psiquiátrica e o poder judiciário no HCT, procedemos
inicialmente à análise do aparato legal que a sustenta
(legislação psiquiátrica e códigos penais). Foram realizadas
ainda entrevistas semi-estruturadas com 5 médicos (assistentes,
peritos, plantonistas e representante da direção) e 5 pacientes,
além da observação e análise dos prontuários criminal e médico
de um dos pacientes entrevistados. Através de um questionário
estruturado, foram coletados dados dos 309 pacientes internados
no HCT, visando-se descrever a população internada e determinar
a sua situação judicial. Destacamos a importância da noção de
preciosidade na legislação psiquiátrica brasileira,
identificando uma superposição de funções entre as instituições
médico-psiquiátricas e os manicômios judiciários. A relação
entre a psiquiatria e o poder judiciário, evidencia a existência
de uma complementariedade[sic] entre os dois campos. A partir
dos dados obtidos no HCT, evidenciamos que, em sua aplicação
concreta, o procedimento jurídico que envolve os doentes
mentais, mostra-se aflitivo e punitivo, com múltiplas
possibilidades de atuação no sentido de manutenção de longas
internações e sucessivas reinternações, pondo em questão o seu
caráter terapêutico. No HCT, as internações duram em média 51
meses, sendo que 49% dos pacientes encontram-se em situação
indefinida, aguardando resolução judicial. O tempo médio para a
alta judicial foi de 48 meses. A medida de Segurança (MS) é
identificada como sendo uma medida punitiva. Entre os 164
pacientes que foram submetidos a MS, 64% o foram por tempo
superior a 2 anos, evidenciando masi uma vez a tendência a
longas internações. A internação judicial mostra-se ainda
significativa quando consideramos a sua ocorrência na ausência
de uma sintomatologia psiquiátrica evidente. Todos esses fatores
atuam no sentido de determinar a superlotação do hospital, sendo
o número de pacientes cerca do dobro de número de leitos
existentes. O HCT é uma instituição predominantemente custodial,
cuja função terapêutica é questionada por médicos e pacientes.
Evidenciamos ainda a falta de atividades dos pacientes, a
inexistência de setores de terapia ocupacional, serviço social e
psicoterapia estruturados, a deficiência dos serviços de
laboratório e farmácia, e o baixo número de profissionais de
saúde atuando na instituição, sendo que existe atualmente 1
médico assistente para 42 pacientes internados. Evidenciou-se um
privilégio dooo setor de segurança, com uma relação de 1 agente
de presídio para 7 pacientes internados no HCT. O tratamento
psiquiátrico mostra-se secundário, e é descrito como
insuficiente e meramente paliativo, inexistindo um projeto
terapêutico. Encontramos que 96% dos pacientes fazem tratamento
puramente farmacológico, sendo que apenas 3.5% foram atendidos
por seu médico assistente mais de 25 vezes em um ano, ou seja
quinzenalmente, em que pese o regime de internação. Evidenciamos
que a relação entre o poder judiciário e a prática psiquiátricsa
no HCT pode ser considerada em dosi momentos distintos.
Inicialmente, e no que se refere aos momentos de decisão -
internação, determinação do tempo de tratamneto e alta -
identificamos uma interferência no sentido de uma diminuição da
autonomia médica, a qual é determinada pelo processo jurídico
propriamente dito. Em um segundo momento, considerando a prática
psiquiátrica cotidiana, evidenciamos uma interferência no
sentido de uma transplantação da lógica que rege o procedimento
jurídico que a envolve. Neste sentido, a prática psiquiátrica
exercida no HCT parece tomar como objeto não a doença mental,
mas a periculosidade dos doentes, constituindo-se em uma atuação
com os agentes de presídio. O HCT parece exercer um papel na
rede de assistência psiquiátrica. Aravés de um modelo de atuação
asilar, com internações prolongadas, 'atende' a uma 'clientela à
margem', resultando em cronificação da doença mental. este fato
torna urgente uma discussão aprofundada desta instituição entre
os profissionais de saúde, fazendo com que ela pareça por detrás
do muro que a esconde. (AU)
PESSOTTI,
Isaías, 1994. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro:
Editora 34. Revisão sobre o conceito de loucura nas diferentes
épocas, desde a Antiguidade (Homero, Ésquilo, Sófocles,
Eurípides, Hipócrates, Galeno, dentre outros), passando pela
doutrina demonista e finalizando com as abordagens médicas, do
alienismo pineliano ao período imediatamente posterior a este.
PITTA-HOIZEL Ana Maria Fernandes, 1984. Sobre uma política de
saúde mental. Dissertação de mestrado, São Paulo:
Departamento de Medicina Preventiva, Universidade de São Paulo.
A autora discute a assistência psiquiátrica em São Paulo e no
Brasil, relacionando-a com as principais experiências
internacionais. Assinala também a reorientação da política
previdenciária no nível federal, suas contradições e conflitos e
a viabilidade de sua execução.
PONTE,
Carlos Fidelis, 1999. Médicos, Psicanalistas e Loucos: uma
contribuição à história da psicanálise no Brasil.
Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de
Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. O trabalho tem como objeto
a constituição e o desenvolvimento do campo psicanalítico no
Brasil do início do século XX até o começo dos anos oitenta. A
abordagem focaliza de modo privilegiado os processos de
institucionalização e profissionalização da psicanálise, não se
detendo, entretanto, a aspectos relacionados à epistemologia do
saber analítico enquanto disciplina. Orientada, em suas linhas
gerais, pela perspectiva da sociologia das profissões e pelos
estudos de Pierre Bourdieu e Robert Castel, a dissertação
divide-se em duas grandes partes distribuídas em seis capítulos.
A primeira delas trata das condições ambientais encontradas pela
psicanálise no país e de sua assimilação pela tradição
científica local. A segunda refere-se à criação das sociedades
filiadas à Associação Psicanalítica Internacional, à formação de
um mercado para este saber, à tentativa de sua circunscrição ao
âmbito da medicina e às estratégias postas em prática pelos
grupos que passaram a disputar seu controle. (AU)
PORTOCARRERO, Vera Maria, 1980. Juliano Moreira e a
descontinuidade histórica da psiquiatria. Dissertação de
mestrado, Rio de Janeiro: Departamento de Filosofia, Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. O trabalho visa a
mostrar uma descontinuidade, tanto ao nível do saber como da
prática, entre a Psiquiatria brasileira do século XIX e a
Psiquiatria introduzida no Brasil por Juliano Moreira no início
do século XX. Esta descontinuidade se estabelece sobretudo a
partir do surgimento do conceito de anormal como uma forma de
psicopatologia, no final do século XIX, que fará a Psiquiatria
abranger não somente a doença mental propriamente, como ocorreu
até Juliano Moreira, mas todo e qualquer desviante do
comportamento normal - degenerados, epilépticos, criminosos,
sifilíticos, alcoólatras. Ao nível teórico, a ruptura se
caracteriza pela exigência de uma nosografia como a de Kraepelin,
que classifique, cientificamente, todos esses casos de
anormalidade, e de um modo geral, de um corpo conceitual que
justifique, com bases na medicina, o seqüestro de louco e a
intervenção psiquiátrica sobre os indivíduos anormais. Ao nível
da prática, a ruptura se manifesta na criação de um sistema
assistencial mais abrangente, que não se restringe mais ao
doente mental, nem se limita espacialmente ao asilo fechado,
como no século XIX. No século XX, a prática psiquiátrica
incidirá sobre todos os desviantes, loucos ou não, e penetrará
em todas as instâncias da sociedade - família, escola, forças
armadas - como o objetivo terapêutico e preventivo de lutar
contra a criminalidade e a baixa produtividade, combatendo a
doença mental propriamente dita e a anormalidade. (AU)
PORTOCARRERO, Vera Maria, 1988. Psiquiatria, liberdade e
trabalho: da escravidão à disciplinarização. Cadernos do
NUPSO, 1(1): 04-08, Rio de Janeiro. A autora realiza uma
análise acerca da criação e do aprimoramento das técnicas de
normalização da sociedade brasileira ao final do séc. XIX, em
que a psiquiatria se apresenta como agente formulador de normas
e leis necessárias para o controle da nova sociedade
capitalista, através da higienização dos asilos e de outras
instâncias sociais. A psiquiatria em suas formulações busca
aliar a sua intervenção aos preceitos básicos da época:
liberdade e trabalho.
PORTOCARRERO, Vera Maria, 1990. O dispositivo da saúde
mental: uma metamorfose na psiquiatria brasileira. Tese de
doutorado, Rio de Janeiro: Instituto de Filosofia e Ciências
Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro. A tese visa
mostrar uma metamorfose na Psiquiatria brasileira, a partir da
década de sessenta de nosso século, com o surgimento do
dispositivo da saúde mental. A saúde mental é analisada como um
dispositivo de produção de saber e de poder, que reúne um novo
corpo teórico (multiplicidade de saberes), um novo corpo de
profissionais ('trabalhadores de saúde mental') e novos
programas de intervenção sobre a população. Esta metamorfose se
estabelece sobretudo a partir do aparecimento dos conceitos de
saúde e de poder no interior do discurso psiquiátrico
brasileiro, que passa a ser constituído não só pelas vertentes
próprias do modelo clássico asilar, como também por uma
diversidade de teorias e estratégias antimanicomiais que compõem
as chamadas psiquiatrias 'alternativas'. Tal metamorfose
corresponde a uma mudança muito mais evidente no nível do saber
do que no nível da prática. Com efeito, ao lado de profundas
modificações quanto aos conceitos, objetos e métodos de análise,
permanece quase inalterada a estrutura hospitalar, apesar das
novas propostas de política de saúde mental e da tentativa de
experiências inovadoras nas instituições asilares, que
constituem o dispositivo da saúde mental. (AU)
prática que
deveria ser superada. (AU)
RESENDE,
Heitor, 1981. Estado e políticas de saúde mental no Brasil. In:
Informe: saúde mental no Brasil, 23-35, Rio de Janeiro:
Ibase. O texto aborda a Política de Saúde Mental e a atuação da
Previdência Social no Brasil durante o período militar.
Relativizando os dados estatísticos e entendendo a Política de
Saúde Mental por via das funções da psiquiatria e do Estado,
busca demonstrar o caráter 'preventivo' das intervenções do
período.
RESENDE,
Heitor, 1987. Política de saúde mental no Brasil: uma visão
histórica. In: Cidadania e loucura - Políticas de saúde
mental no Brasil, (S. Tundis, N. Costa, orgs.), 15-73, Rio
de Janeiro: Vozes/Abrasco. O autor realiza um breve histórico da
instalação e organização das políticas de assistência ao doente
mental no Brasil. O estudo procura não só mostrar os cenários
políticos da constituição da assistência psiquiátrica brasileira
mas, principalmente, demonstrar as circunstâncias determinantes
que alçaram o louco à condição de problema social, havendo em
decorrência a criação de instituições que venham a controlá-lo.
RIBEIRO,
Lizete Castanho, 1986. A co-gestão no Centro Psiquiátrico
Pedro II: uma experiência de integração entre Ministério da
Saúde e Ministério da Previdência e Assistência Social.
Dissertação de mestrado, São Paulo: Faculdade de Saúde Pública
de São Paulo. Foram avaliados alguns aspectos do mecanismo de
co-gestão entre Ministério da Saúde e Ministério da Previdência
e Assistência Social no Centro Psiquiátrico Pedro II (CPII),
hospital do Ministério da Saúde. Foi analisado o período de 1981
a 1984 através da observação direta, de documentos oficiais e de
dados registrados de produção hospitalar. O processo de
co-gestão analisado apresentou os seguintes resultados: 1) no
nível do desenvolvimento institucional - 1.1) reorganização da
coordenação, administração e gerência - 1.2) reordenação da
estrutura e organização dos serviços; 2) no nível da produção de
serviços - 2.1) aumento de 61,5% e de 178,6% nas consultas
médicas de ambulatório e de pronto-socorro, respectivamente -
2.2) diminuição de 16,4% de internações, decréscimo de 8,6% na
média de permanência e aumento da taxa de ocupação, demonstrando
maior produção e produtividade. Concluindo, a co-gestão no CPP
II permitiu a reversão do modelo asilar para um modelo de
atenção extra-hospitalar prioritária e abordagem
multidisciplinar. Representa uma experiência de reorientação da
política assistencial no Brasil, um estágio efetivo no processo
de integração interinstitucional e resultou em benefícios não só
das instituições gestoras, como também, e principalmente, da
população usuária dos serviços. (AU)
RIBEIRO,
Paulo Rennes Marçal, 1996. Saúde mental: dimensão histórica e
campos de atuação. São Paulo: Editora Pedagógica e
Universitária. Trata-se de uma proposta de definição
interdisciplinar do campo da saúde mental, que é realizada a
partir de uma revisão histórica e conceitual das principais
áreas e campos afins ao tema (medicina, filosofia, psiquiatria,
psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, serviço social,
enfermagem, etc.).
RODRIGUES,
Mavi Pacheco, 1996. Reforma Psiquiátrica e o combate ao
domínio da razão normativa: a assistência na encruzilhada.
Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola de Serviço
Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esta dissertação
parte da constatação de que parcela expressiva daqueles que
defendem a Reforma Psiquiátrica no Brasil tende a situar
paradoxalmente o recolhimento da cidadania do doente mental e a
assistência psiquiátrica. Temos por hipótese que a fundamentação
para tal paradoxo é sustentada principalmente pela recorrência
do pensamento crítico da psiquiatria brasileira à obra de Michel
Foucault: História da Loucura. A tese de uma experiência
fundamental da loucura e a tese de uma progressiva dominação da
razão normativa sobre o desvario como elementos basilares da
argumentação de História da Loucura nos leva a identificar em
Foucault a formulação de uma concepção de assistência restrita a
estratégias de poder-saber de dominação da loucura. O
anti-iluminismo e o anti-humanismo foucaultianos são apontados
como elementos limitantes na luta pelo proposição de políticas
assistenciais em saúde mental alternativas ao asilamento. (AU)
ROPA,
Daniela, 1977. Análise da política de saúde mental - Um
estudo histórico-comparativo com a política de saúde mental dos
alienistas do séc. XIX. Monografia de Curso, Rio de Janeiro:
Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de
Janeiro. À luz do conceito de metamorfose, a autora debate e
procede a uma comparação das práticas de saúde mental do período
alienista com as deste século.
RUSSO, Jane
Araújo & SILVA FILHO, João Ferreira, orgs., 1993. Duzentos
anos de psiquiatria. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/UFRJ.
Este livro reúne trabalhos apresentados na Jornada de
Psiquiatria do Estado do Rio de Janeiro, realizada em junho de
1992 no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do
Rio de Janeiro.
SÁ, Evelin
Naked de Castro & PIMENTEL, Cid Roberto Bertozzo, 1991.
Juqueri - O espinho adormecido (Parte I). São Paulo:
Hucitec. Conjunto de reflexões e observações sobre as
experiências dos autores, além de depoimentos de outros
técnicos, no Complexo do Juqueri, um macro asilo psiquiátrico
fundado nos últimos anos do século passado na periferia de São
Paulo.
SAMPAIO,
José Jackson Coelho, 1984. A Psiquiatria Social e o destino do
hospital psiquiátrico público. Rio de Janeiro, mimeo, 07 pp. O
autor argumenta que toda Psiquiatria é Social já que, desde o
seu nascimento vem responder a necessidades predominantemente
sócio-políticas. Afirma que existiram, existem ou co-existem
quatro Psiquiatrias Sociais, sendo: Psiquiatria Social Arcaica;
Psiquiatria Social Iluminista; Psiquiatria Social Gerencial e
Psiquiatria Social Dialética. O autor faz ainda uma resenha do
desenvolvimento histórico da Psiquiatria no Brasil e conclui que
a 'Psiquiatria Social tem três desafios a equacionar': 'como
colocar saúde mental em Saúde Pública;' 'o que fazer com o
hospital psiquiátrico' e 'como descolonizar a linguagem das
psicoterapias'.
SAMPAIO,
José Jackson Coelho, 1988. Hospital psiquiátrico público no
Brasil: a sobrevivência do asilo e outros destinos possíveis.
Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de Medicina
Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. São objetivos
desta dissertação, compreender o asilo para além das
contingências de forma e nome (asilo, colônia, hospício,
manicômio, hospital psiquiátrico, casa de repouso), como
tendência permanentemente possível de se realizar, caso confluam
determinadas atitudes assistenciais e administrativas dentro do
serviço, com determinadas atitudes culturais e políticas da
sociedade; identificar estas atitudes; e então responder à
pergunta: Por que o asilo sempre vence na situação histórica
concreta do hospital psiquiátrico publico brasileiro? (AU)
SANTOS,
Nelson Garcia, 1994. Do hospício à comunidade: políticas
públicas de saúde mental. Santa Catarina: Ed. Letras
Contemporâneas. O autor propõe uma discussão sobre a
psiquiatrização do social e paralelamente, analisa as políticas
públicas de saúde mental em Santa Catarina.
SOUZA,
Waldir da Silva, 1999. Associações de usuários e familiares
frente à implantação da política de saúde mental no município do
Rio de Janeiro (1991-1997). Dissertação de Mestrado, Rio de
Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo
Cruz. No cenário social o Movimento da Reforma Psiquiátrica
brasileira introduziu na agenda das políticas públicas o tema da
desinstitucionalização, assim como a proposta de mudança no
modelo de atenção à saúde mental. O Movimento deflagrou
transformações políticas, sociais e culturais no lidar com a
loucura. O presente estudo analisa a ação política de três
associações de usuários e familiares, a Associação de Amigos,
Familiares e Doentes Mentais do Brasil (AFDM), a Sociedade de
Serviços Gerais para a Integração pelo Trabalho (SOSINTRA) e a
Associação dos Parentes e Amigos da Colônia Juliano Moreira
(APACOJUM), interpretadas enquanto grupo de interesses em uma
arena específica, o Conselho Municipal de Saúde do Rio de
Janeiro. As associações apresentam, como essência central, uma
ação política na qual difundem a construção de identidades
democráticas no marco das instituições representativas, com a
constituição de formas coletivas de solidariedade e de ajuda
mútua. Representam segmentos sociais que até então
encontravam-se excluídos do debate, ou da possibilidade de
participar diretamente no processo decisório sobre a formulação
e implementação das políticas públicas de saúde/saúde mental,
campo este largamente dominado pelo discurso técnico. Assim,
buscam influenciar na implementação e execução das políticas nas
instâncias colegiadas definidoras do rumo destas, com a
apresentação de propostas e da defesa de seus interesses,
funcionando como inputs para os policy-making.
(AU)
SUCAR,
Douglas Docol, 1993. Nas origens da psiquiatria social no
Brasil. Natal: Clima. O autor se propõe a analisar o
processo de constituição da psiquiatria social no Brasil.
Estabelece como referência cronológica para o desenvolvimento de
sua análise, os fatos e as idéias que marcaram a história da
psiquiatria sobretudo no Rio Grande do Norte.
TEIXEIRA,
Mário, 1993. Hospício e Poder. Brasília: Centro Gráfico
do Senado Federal. Trata-se de um estudo sobre a instituição
psiquiátrica em Santa Catarina, a partir da implantação de um
projeto de modernização. O autor procura discutir as relações de
poder na instituição, principalmente entre equipe médica e de
enfermagem, assim como desta em relação aos internos,
destacando, em especial a figura do atendente.
TORQUATO
NETO, 1973. D' Engenho de Dentro. In: Os últimos dias dia
paupéria, (Torquato Neto), pp. 57-76. Rio de Janeiro:
Eldorado. Escritos e reflexões do músico, poeta, escritor e
jornalista durante suas internações no Centro Psiquiátrico Pedro
II (RJ). Contém trechos contundentes da experiência vivida pelo
autor, assim como passagens com importantes personagens da
psiquiatria brasileira.
TREIGER,
Jaime, 1981. Assistência psiquiátrica no Brasil. Jornal
brasileiro de psiquiatria, 30(2): 163-172, Rio de Janeiro. A
evolução da assistência psiquiátrica no Brasil no período
1970-80 é analisada no contexto das previsões e recomendações da
reunião dos ministros da saúde das Américas, no Chile em 1974.
Os princípios da saúde comunitária são destacados em lugar dos
conceitos tradicionais e individualizados da assistência médica,
usando-se as conclusões da comissão de especialistas em educação
comunitária da OMS que em 1970 definiu a natureza e tipos de
planificação governamental. Descrevem-se e analisam-se os
obstáculos à racionalização das ações, especialmente na
Previdência Social. Cita-se uma interpretação antropológica do
comportamento humano, sugerindo-se caminhos de melhor
procedimento político (participação definida dos psiquiatras nos
programas sociais).
TUNDIS,
Silvério Almeida e COSTA, Nilson Rosário, orgs., 1992.
Cidadania e loucura: políticas de saúde mental no Brasil,
Rio de Janeiro: Vozes/Abrasco. Coletânea de textos com
introdução de Nilson do Rosário Costa e Silvério Tundis, que
'visa oferecer uma leitura sistemática a respeito dos mecanismos
históricos que dão sentido às práticas sociais voltadas para o
mundo do desvio e da patologia mental' (LV). Reúne trabalhos de
Benilton Bezerra Júnior, Edith Seligmann Silva, Heitor RESENDE,
João Ferreira da Silva Filho, Naomar de Almeida Filho, Pedro
Gabriel Delgado e Sherrine Njaine Borges.
TUNDIS,
Silvério Almeida, 1985. Psiquiatria preventiva:
racionalização e racionalidade. Dissertação de mestrado, Rio
de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo
Cruz . Trata-se de um estudo histórico das condições de
desenvolvimento da Psiquiatria Preventiva desde o início do
século XX no Brasil, e os determinantes de seu modelo.
Utilizou-se como material a documentação oficial existente,
política e técnico-científica publicada em revistas
especializadas. Na abordagem teórico-metodológica trabalhou-se
fundamentalmente no estabelecimento de correlações entre a
política de assistência psiquiátrica e os princípios básicos da
medicina preventiva. A constatação geral do estudo é que a
Psiquiatria Preventiva no Brasil, nos dias de hoje, é uma
proposta sintetizadora das diversas modalidades técnicas,
passíveis da aplicação prática, na medida em que se ajustam nos
modelos políticos vigentes em diferentes conjunturas econômicas
no país. A conclusão final é que as propostas mais recentes da
Psiquiatria Preventiva podem ser entendidas como uma Psiquiatria
da Racionalidade, que encontra seus fundamentos, tanto em
teorias econômicas quanto sociológicas. (AU)
URQUIZA,
Lygia Maria de Franca Pereira, 1991. Um tratamento para a
loucura: contribuição à história da emergência da prática
psiquiátrica no Estado de São Paulo. Dissertação de
mestrado, Campinas: Faculdade de Ciências Médicas, Universidade
Estadual de Campinas. Estudou-se o momento histórico em que se
inicia a prática psiquiátrica em São Paulo e suas primeiras
décadas de funcionamento. O material investigado constou
principalmente das publicações de Franco da Rocha 1893 e 1923 e
dos prontuários do SAME - Juqueri referentes ao mesmo período.
Os dados empíricos foram abordados utilizando-se o modelo de
investigação tecnológica do trabalho médico e privilegiando-se a
terapêutica alienista, entendida como instrumento do trabalho da
medicina mental. Tentou-se, ainda, apreender as articulações,
imediatas ou mediatizadas, desses instrumentos com os demais
elementos componentes do processo de trabalho. Observou-se que o
momento histórico estudado se constitui numa ruptura no que diz
respeito às práticas de gerência pública da loucura, e que a
proposta terapêutica do alienismo corresponde à totalidade das
estratégias aplicadas para esse gerenciamento no Estado de São
Paulo, a partir de 1893. Finalmente, verificou-se que o modo
concreto como opera o trabalho alienista se conforma menos aos
ditames da ciência que as necessidades sociais mais amplas e
aquelas engendradas à própria prática do trabalho. (AU)
VAISSMAN,
Magda, 1983. Assistência psiquiátrica e Previdência Social:
análise da política de saúde mental nos anos 70. Dissertação
de mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de Psiquiatria,
Universidade Federal do Rio de Janeiro. A autora procura
analisar a organização da assistência psiquiátrica face à
política de saúde mental adotada pela Previdência Social no
Brasil, no período de 1970 a 1980. Considera-se que a
privatização do setor saúde e a conseqüente mercantilização da
medicina favorecem a perpetuação do modelo asilar de
exclusão/segregação, em detrimento da utilização de recursos
extra-hospitalares. Apesar de, formalmente, os princípios da
Psiquiatria Comunitária e Social fazerem parte das instruções
normativas do INAMPS, constata-se o uso abusivo do leito
hospitalar, reconhecidamente iatrogênico e ineficaz. A rede
hospitalar psiquiátrica consumiu, no período acima mencionado,
em média, 95% dos recursos destinados à assistência
psiquiátrica, indicando que não houve ênfase na assistência
ambulatorial. Isto invalida, a nosso ver, as teorias sobre a
psiquiatrização da vida cotidiana, quando aplicadas ao caso
brasileiro. (AU)
VASCONCELOS, Eduardo Mourão, 1992. Do hospício à comunidade:
mudança sim; negligência não. Belo Horizonte: Segrac. O
autor avalia as estratégias de mudança na assistência e
legislação psiquiátrica na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e
outros países, como pano de fundo da análise da experiência em
curso no Brasil. A ênfase é dada ao planejamento estratégico e
democrático, e ao compromisso com a assistência e a diversidade
social. O autor combina o olhar sensível de psicólogo, o rigor
analítico de cientista político, com a experiência de formação e
vivência no meio acadêmico e psiquiátrico europeu.
VENANCIO,
Ana Teresa Acatauassú, 1990. Sobre a 'Nova Psiquiatria' no
Brasil: um estudo de caso do hospital-dia do Instituto de
Psiquiatria. Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro: Museu
Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esta
dissertação de mestrado é um estudo sobre o conjunto de saberes
e práticas terapêuticas empreendido no sistema
médico-psiquiátrico brasileiro desde a década de 70, e que vem
se apresentando como alternativo ao modelo 'tradicional' de
atendimento e tratamento da questão da doença mental. Trata de
observar as representações que constituem a ideologia desta
'nova psiquiatria', procurando perceber, em particular, de que
forma tais representações reordenam os valores relacionados a
uma concepção 'moderna' de Pessoa, característica das sociedades
ocidentais contemporâneas. Como estratégia de pesquisa
privilegiei a contextualização do aparecimento das proposições
que constituem a 'nova psiquiatria', no âmbito internacional e
no Brasil. Em seguida realizei um estudo de caso de uma
modalidade institucional paradigmática desta configuração
ideológica: o hospital-dia. (AU)
VILELA,
Jonas, 1981. A formação do psiquiatra em Minas Gerais.
Boletim Mineiro de Psiquiatria, 15(5): 06, Belo Horizonte.
Breve histórico da formação do psiquiatra no Brasil e em Minas
Gerais (até 1968), institucionalizada nos anos 60, em meio às
transformações da assistência médica brasileira com crescimento
da cobertura; das teorias e práticas americana e européia
(comunidade terapêutica, terapia ocupacional, psicanálise), e do
contexto sócio-político brasileiro.
YASUI,
Silvio, 1999. A construção da Reforma Psiquiátrica e o seu
contexto histórico. Dissertação de Mestrado, Assis:
Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista.
O objetivo do presente trabalho é o de contribuir para a
discussão e a consolidação da transformação da assistência em
saúde mental. A partir de conceitos inspirados em Gramsci,
pretende-se compor o cenário político e social em que o
Movimento da Reforma Psiquiátrica foi sendo construído, desde os
anos setenta até os anos noventa, estabelecendo relações e
paralelos com os Movimentos Sociais e com o Movimento da Reforma
Sanitária. Neste processo de construção cotidiana, destacam-se
os paradigmas e as rupturas que o Movimento da Reforma
Psiquiátrica foi produzindo em diversos campos: teórico,
assistencial, jurídico, político e sociocultural, o que
possibilita caracterizá-lo como um Movimento Social
contra-hegemônico. Como exemplaridade desse processo analisa-se
o Centro de Atenção Psicossocial Luiz da Rocha Cerqueira de São
Paulo. (AU)
YASUI,
Silvio. 1989. CAPS: aprendendo a perguntar. In: Saúdeloucura
1, (A. Lancetti, org.), pp. 47-59, São Paulo: Hucitec.
Relato da experiência do autor no Centro de Atenção Psicossocial
'Professor Luiz da Rocha Cerqueira'. O autor faz um pequeno
histórico da saúde mental no Brasil e mais especificamente em
São Paulo, marcando o surgimento do CAPS com uma oferta de
atendimento diferenciado. Pacientes que só teriam o hospício
como lugar de tratamento são atendidos de forma a produzir
sentido em suas vidas. Tudo isso em meio a encontros,
desencontros, discussões, diferenças entre os técnicos,
possibilitando e promovendo uma assistência 'múltipla e
diversificada'.
Fonte: PROJETO MEMÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL
CATÁLOGO DE PERIÓDICOS NÃO -CORRENTES EM PSIQUIATRIA DA
BIBLIOTECA DE MANGUINHOS
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