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Wagner Barbosa
de Souza
Apesar do convívio permanente com
a esquizofrenia consigo levar uma vida plena, pois tenho apoio
dos meus colegas que também são portadores da doença. No grupo
de acolhimento, com a ajuda das TOs, trocamos idéias e
compartilhamos as dificuldades que enfrentamos diante de uma
sociedade que ainda está extremamente desinformada sobre os
transtornos mentais.
Adicionados as estes encontros, temos também, outros momentos
onde as reflexões acontecem exclusivamente entre os portadores.
Todos os pontos de vistas são bem aceitos e bem trabalhados, lá
também fazemos uma oficina de redação que nos ajuda a colocar no
papel nossas idéias sobre variados temas, além disso, assistimos
filmes onde recebemos informações e discutimos democraticamente,
e tudo isso nos ajuda a elaborar críticas à respeito da vida.
Fora os grupos que freqüento, tenho meus prazeres no dia-a-dia
que me deixam feliz. Adoro ir a minha chácara onde eu e minha
família fazemos churrascos, nadamos na piscina e curtimos a
natureza. Em casa cuido dos cachorros e isto me faz sentir-me
útil, ajudo minha mãe a guardar louça e coloco o lixo pra fora,
também faço coleção de DVD, e adoro ouvir as músicas do meu
ídolo Renato Russo.
Este conjunto de ações e
atividades me dá uma perspectiva de planejar muitos trabalhos
para a seqüência da minha vida, mantendo acesa a chama dos meus
sonhos de vida.
Isso mostra que apesar das
dificuldades que a esquizofrenia gera, consigo levar uma vida
feliz e saudável.
Luiz Cláudio Lima Freire
Inserção à Sociedade – Após o diagnóstico
de esquizofrenia, busco a inserção social desde 1997.
Voltei ao curso de Meteorologia na USP, no ano seguinte fui
estagiário no Instituto Oceanográfico e monitor de computação no
Instituto de Biociências, ambos durante um ano. Surtei pela
segunda vez e, em 1999, procurei me reestabelecer; em 2000, fui
monitor de computação no meu próprio Instituto. IAG, no 2o.
semestre, em 2002, fui auxiliar de ensino (monitor) em
disciplina (hidrometereologia) e, em 2003, trabalhei por três
meses em uma cooperativa como conferencista (contador de
estoque). Em 2005, me desliguei da faculdade. Em 2006, fui
fiscal de loja num hipermercado, por quatro meses, fiz um curso
de computação também e voltei a estudar para um novo vestibular.
Hoje (2007), inicio um curso de licenciatura em Física no
CEFET-SP e acho que faço as atividades de meu alcance e espero
estar fazendo o que eu gosto e que me é possível. A
esquizofrenia não é deficiência; é apenas uma pedra no caminho,
e temos muitas coisas possíveis de se fazer e que nos satisfazem
e são gratificantes. Ouçam CPM22 e Legião Urbana.”
Romilda Viana
Lima
“Ser portador de um transtorno mental que não tem cura como a
esquizofrenia, não é nenhuma sentença para ninguém viver
infeliz. Eu hoje vivo muito feliz. Sou capaz de usar minha
inteligência e produzir coisas belas e úteis na instituição em
que trabalho, desenvolvendo uma atividade que me desperta o
interesse.
Sou a responsável pela elaboração do protótipo que é enviado ao
cliente do Projeto Papel de Gente (www.papeldegente.org.br).
Além de participar junto à equipe na produção em série dos
produtos que são encomendados pelas empresas a esta instituição.
E tudo isso só é mandado ser feito depois de aprovado o
protótipo que é previamente elaborado por mim.
O que acontece comigo é muito mais do que viver uma vida que
passa pelo caminho do sucesso e pronto, sem grandes obstáculos.
Pelo contrário, eu não tive escolha e vivo a contornar as
dificuldades que a realidade dura da vida me apresenta. Nesse
caminho eu sigo firme e às vezes também recuo. E quando recuo é
para pegar embalo e dar a volta por cima, aplicando toda a minha
energia.
Como ter uma mente brilhante, com suas respostas brilhantes
parece estar muito além das minhas humildes capacidades humanas,
eu contorno isso por agora e opto por possuir, em vez disso,
realizações. Pois algo que importa para mim é poder ficar em
atividade, com esquizofrenia mesmo. Vivendo a vida como ela é.
Contornando problemas que eu ainda não tenho a resposta.
Caminhando para frente... Produzindo coisas belas.
Contornar e prosseguir é o segredo para eu andar pelo caminho
realizando coisas. Por tudo isso, como se vê, sou gente que faz.
Muito obrigada a todos que me apóiam dando condições de saúde ou
oportunidade concreta para eu me manter em atividade. Obrigada!
“Vocês são fundamentais na minha vida.”
Alex Marconi da Silva
“Uma
mensagem de esperança: não há uma fórmula única para o sucesso.
No meu caso, ele demorou a chegar (e ainda não está completo).
Consegui dar passos importantes: terminar a faculdade foi um
deles. Outro, talvez o mais importante, foi me
restabelecer, voltar a produzir e enxergar o lado bom da vida.
Hoje em dia tenho alguns projetos próprios, pinto quadros por
prazer e para vender, alguns deles, assim como algumas histórias
de humor que produzo, viram estampas para camisetas, que vendo.”
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