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Informação Científica

O conhecimento científico é um potente aliado para que as pessoas com esquizofrenia e seus familiares compreendam melhor os aspectos da doença. Assim é importante entender quais as alterações que a esquizofrenia introduz no funcionamento do cérebro. Vejamos algumas informações importantes para que sua compreensão sobre a doença possa lhe dar mais recursos para lidar com as questões cotidianas.

A transmissão de informação entre as células do cérebro acontece por meio de substâncias químicas chamadas neurotransmissores . Assim, todos os processos cerebrais, tais como visão, audição, o paladar, o olfato e o tato, bem como tudo o que pensamos e sentimos, são informações processadas por neurônios que se comunicam através de neurotransmissores.

Um neurotransmissor bastante estudado na esquizofrenia é a dopamina. Por meio de uma técnica chamada neuroimagem molecular é possível estudar essas substâncias no cérebro das pessoas que têm esquizofrenia. Estudos feitos com esta técnica demonstraram consistentemente que as pessoas com esquizofrenia têm um aumento da síntese e liberação de dopamina. Esta é uma das alterações cerebrais mais importantes e bem comprovadas na esquizofrenia.

Dos muito estudos realizados chegou-se a algumas conclusões: a) sabe-se que as medicações para a esquizofrenia atuam diminuindo a função da dopamina; b) sabe-se que drogas psicoestimulantes que aumentam a dopamina (tais como, anfetamina e cocaína) induzem sintomas parecidos com a esquizofrenia (exemplo: delírios e alucinações).

A dopamina é responsável pela atribuição de relevância, ou melhor dizendo, saliência, aos estímulos do ambiente. Dessa forma, ela interfere diretamente nas representações internas que fazemos a respeito das nossas percepções.  Em circunstâncias normais a dopamina tem o papel de atribuir saliência para estímulos ligados ao prazer ou à aversão. A dopamina faz a mediação dos processos de atribuição saliência (importância/relevância) aos estímulos, mas em circunstâncias normais ela não cria os estímulos.

A função aumentada da dopamina na esquizofrenia modifica o processo natural de atribuir saliência dentro de um contexto normal e dirigido. Nessas condições há uma atribuição alterada de saliência dos objetos externos e das suas representações dentro da pessoa. Assim, supõe-se que devido ao aumento de dopamina há uma atribuição errônea de saliência a estímulos pouco importantes que se tornam muito importantes para a pessoa.

Antes de a esquizofrenia aparecer, a pessoa pode passar meses ou anos acumulando experiências salientes de forma sutilmente alterada, num período chamado “pródromos da doença”. Isto é, sensações e acontecimentos que são corriqueiros para os outros passam a ter muita importância para a pessoa. Eventos com um nível de estresse maior do que a pessoa consegue lidar têm como consequência a estruturação dos delírios e alucinações, como forma de dar um sentido para a experiência de viver com um estado de saliência alterada. A partir daí a pessoa passa a ter “ideias psicóticas” que servem como um esquema de orientação cognitivo para novos pensamentos e ações. Por exemplo, uma pessoa que gostava de escrever que passa por uma experiência psicótica pode acreditar que escritores famosos querem roubar as suas ideias e isto compromete o seu raciocínio como um todo.

Dessa forma, é possível entender porque não adianta afirmar para a pessoa com delírios e alucinações muito intensos que o que ela está vivenciando não está acontecendo de fato. Isto porque o cérebro da pessoa está com a dopamina alterada e com sua percepção da realidade também alterada. Assim ela realmente “vê”, “ouve”, ou “sente” e a crença nos fatos é total. A pessoa não tem condição de criticar o que está sentindo e ela passa a funcionar como se estas experiências fossem totalmente reais.

Apesar da dopamina ter um papel importante na esquizofrenia, não se pode dizer que ela seja a única alteração. Existem muitas evidências de alterações em outros sistemas de neurotransmissão cerebral, incluindo sistema do glutamato, serotonina e acetilcolina. Por isso, apesar de muito importante, ela não é a única responsável pela doença. Entretanto, entender o seu papel permite tratar a doença com medicamentos que diminuem as alterações que ela provoca.

 

 

 

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